Desmatamento na Amazônia caiu 71,2% em 2026 na comparação com o último ano de Bolsonaro; no Cerrado queda foi de 48,4%

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O governo federal anunciou na sexta-feira que, no último ano, a Amazônia teve o menor nível de desmatamento desde 1988, quando o monitoramento começou a ser contabilizado. O Cerrado seguiu a tendência e também alcançou a taxa mais baixa desde 2001, início da série histórica no bioma. Sem citar Flávio: Ex-ministros e ambientalistas criticam 'retomada de propostas' para 'enfraquecer órgãos' fiscalizadores Repercussão: CNBB critica propostas de redução da maioridade penal e alerta para aumento da violência Desde o início da atual gestão Lula, em 2023, as taxas vêm caindo sequencialmente na Amazônia. No caso do Cerrado, houve aumento no primeiro ano do mandato, mas desde então o índice caiu. Os resultados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) foram apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente. O trabalho é realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e acompanha anualmente a supressão de vegetação nativa. O Prodes 2026 reuniu os dados de desmatamento entre 1º de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026. Esse intervalo de tempo, entre um ano e o outro, é o padrão da série histórica, pois assim contempla as mesmas temporadas de seca e de chuva. No período, foram desmatados 3.335 km² na Amazônia Legal e 5.516,69 km² no Cerrado. Esses valores representam reduções, respectivamente, de 71,2% e de 48,4% na comparação com 2022, último ano da gestão Jair Bolsonaro. Em relação à medição anterior, entre 2024 e 2025, as quedas foram de 41,81% na Amazônia e de 23,76% no Cerrado. Linha do tempo Editoria de Arte O ministro do Meio Ambiente, José Paulo Capobianco, destacou ao GLOBO na sexta-feira que o resultado é fruto de uma atuação transversal entre pastas e uma articulação de trabalho com estados e municípios. — Com um trabalho de inteligência e dados, conseguimos criar um ambiente de percepção de risco que desestimula aqueles que pensam em desmatar — afirmou. O Observatório do Clima, rede de entidades ambientalistas, avalia que o resultado passa três recados principais: que a meta de desmatamento zero é possível, a importância de vontade política na agenda ambiental e os efeitos positivos para o combate às mudanças climáticas. — Esses números são uma conquista histórica. Eles colocam o Brasil como protagonista na agenda de proteção das florestas e mostram ao mundo que, com vontade política, é possível frear as motosserras e as emissões de gases de efeito estufa — diz Márcio Astrini, secretário-executivo da rede. Redução de emissões Shigueo Watanabe Jr., físico do Climainfo, integrante do Observatório do Clima, calculou o impacto desse recuo no desmatamento em relação à redução das emissões de gases de efeito estufa. Segundo seus cálculos, os valores significam que o Brasil teve a maior redução de emissões do mundo entre 2025 e 2026, com uma queda de 1,2 bilhão de toneladas de gás carbônico, o que equivale a todas as emissões da França, por exemplo. Já o Greenpeace Brasil destacou que o cenário deriva da retomada da política ambiental no Brasil, com fortalecimento das instituições de fiscalização. — Este marco histórico é o resultado direto de escolhas políticas, como o investimento em fiscalização, a manutenção de políticas públicas eficazes e o fortalecimento contínuo das instituições de controle, como o Ibama e o ICMBio — afirma a coordenadora de Desmatamento Zero a ONG, Cristiane Mazzetti. A política ambiental é um tema de divergência entre as candidaturas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto. O petista defende medidas mais duras de proteção e fiscalização, enquanto o adversário é favorável à flexibilização da legislação ambiental. Além do impacto na disputa presidencial, Mazzetti lembra que a atuação do Congresso também é fundamental. — Os bons resultados na queda do desmatamento vistos desde 2023 estão ameaçados pelo Congresso, que tem atuado para enfraquecer, adiar e desmantelar leis e regulamentações que ajudam a proteger o meio ambiente, a exemplo da nova lei que desmonta o licenciamento ambiental, aprovada em 2025. O próximo Legislativo assumirá uma configuração ainda mais antiambiental e, a depender da próxima gestão federal, o potencial de retrocessos aumentará drasticamente — diz Mazetti. Fiscalização Além dos dados de desmatamento, o ministério apresentou números de atuação do Ibama. Entre 2023 e 2026, o instituto realizou 76.095 ações de fiscalização e lavrou 25.101 autos de infração contra a flora, com R$ 11,8 bilhões em multas. No mesmo período, embargou 18.630 km², lavrou 15.306 termos de apreensão, com valor de R$ 2,6 bilhões, e 4.088 termos de destruição, com valor de R$ 1,26 bilhão. Entretanto, como mostrou O GLOBO, um dos grandes gargalos na fiscalização ambiental é transformar a autuação em arrecadação de multas.

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