A queda de cabelo pode aparecer de diferentes formas: fios mais finos, redução de volume, falhas no couro cabeludo ou uma perda mais intensa em determinado período. Com a chegada de novas tecnologias aos consultórios, também aumentou o número de tratamentos apresentados como alternativas para estimular o crescimento e melhorar a qualidade dos fios. PRP, lasers, fotobiomodulação, microinfusão de medicamentos e mesoterapia estão entre as opções estudadas, enquanto termos como células-tronco, exossomos e fatores de crescimento alimentam expectativas sobre o futuro da área. Adeus ao loiro muito claro? As cores de cabelo que ganham força em 2026 Scalp care: por que o couro cabeludo virou a nova prioridade nos cuidados com o cabelo A variedade de tratamentos pode dar a impressão de que existe uma solução pronta para a queda de cabelo, mas não é bem assim. Antes de pensar em qual procedimento fazer, é preciso entender o que está acontecendo com os fios. Eflúvio telógeno, alopecia androgenética e outras condições podem até ter sinais semelhantes, mas não têm a mesma origem. Guilherme Triches, médico da Onne Clinic (RJ), com atuação em dermatologia clínica e cirúrgica, dermatoscopia, tecnologias a laser e tratamentos capilares, explica que a chamada medicina regenerativa pode entrar como um complemento ao tratamento, sobretudo nos casos em que ainda há folículos preservados. "Queda de cabelo é um sintoma, e não um diagnóstico. Alterações hormonais, deficiências nutricionais, doenças inflamatórias ou infecciosas, uso de medicamentos, predisposição genética, cirurgias, perda de peso e períodos de grande estresse para o organismo podem estar por trás de manifestações semelhantes, mas exigem tratamentos diferentes", alerta Guilherme. A investigação costuma começar pela conversa com o paciente e pela avaliação do couro cabeludo. A tricoscopia, que amplia a região e permite observar os fios com mais detalhes, também pode ajudar a encontrar sinais que não são percebidos a olho nu. Dependendo do caso, o médico pode ainda solicitar exames laboratoriais ou uma biópsia. Isso faz diferença porque a queda nem sempre segue o mesmo caminho. Em algumas situações, os fios voltam a crescer depois que o fator desencadeante é resolvido. Em outras, é preciso tratar uma condição que continua agindo sobre os folículos para evitar que o quadro avance. O que os tratamentos regenerativos podem fazer É nesse ponto que as terapias regenerativas podem entrar como aliadas ao tratamento. A proposta é aproveitar os folículos que ainda estão preservados, buscando melhorar o funcionamento dessas estruturas e características dos fios, como espessura e densidade. Entre as opções mais estudadas está o plasma rico em plaquetas, conhecido como PRP. Feito a partir do sangue do próprio paciente, o procedimento concentra as plaquetas e substâncias liberadas por elas. Pesquisas avaliaram principalmente seu uso em casos de alopecia androgenética e encontraram resultados positivos em alguns aspectos, embora a resposta não seja igual para todos. Por isso, o PRP não deve ser visto como uma solução para qualquer tipo de queda. A indicação depende do que está provocando a perda dos fios e das condições encontradas no couro cabeludo. Outra possibilidade é a fotobiomodulação, que utiliza luz de baixa intensidade, por meio de lasers ou LEDs, para estimular respostas relacionadas ao funcionamento dos folículos e ao crescimento dos fios. Há ainda técnicas que provocam estímulos controlados no couro cabeludo e podem ser combinadas a outros tratamentos. Microagulhamento, microinfusão de medicamentos (MMP) e mesoterapia também são estudados na área. A depender da proposta, podem estimular a região ou facilitar a aplicação localizada de medicamentos e outros ativos. Para Guilherme, mais importante do que acompanhar a novidade do momento é entender se aquela opção faz sentido para cada quadro. "A escolha depende da causa da queda, de quantos folículos ainda estão preservados, da atividade da doença e de como cada procedimento pode contribuir para o tratamento", afirma. E as células-tronco e os exossomos? Quando o assunto são as terapias mais recentes, também é importante separar o que já tem uso estabelecido daquilo que ainda está em fase de pesquisa. Células-tronco e exossomos despertam interesse pelos resultados que vêm sendo investigados, mas ainda não substituem os tratamentos usados para as diferentes causas de queda de cabelo. Segundo Guilherme, boa parte das pesquisas sobre essas abordagens ainda está em etapas iniciais ou foi realizada com grupos pequenos. São necessários estudos mais amplos e acompanhamentos por períodos maiores para entender melhor em quais situações elas podem ser usadas, quais resultados podem oferecer e quais cuidados devem ser considerados. No caso dos exossomos, existe ainda outra questão: os produtos disponíveis podem ter origens, composições e concentrações diferentes. Por isso, o fato de receberem o mesmo nome não significa que sejam equivalentes. Os fatores de crescimento também entram nessa discussão. Eles estão entre as substâncias presentes no PRP, mas produtos comercializados com essa denominação não necessariamente têm a mesma composição, nem contam com o mesmo respaldo científico. Nem sempre mais tecnologia significa mais resultado Outro fator importante é o tempo. O cabelo tem um ciclo lento, e os resultados de uma intervenção não costumam aparecer de imediato. Por isso, a avaliação precisa levar em conta a evolução dos fios ao longo dos meses, e não apenas a percepção diante do espelho nos primeiros dias. Também há limites para o que essas terapias conseguem fazer. Elas não criam novos folículos nem recuperam estruturas que já foram completamente destruídas. A possibilidade de resposta é maior quando ainda há uma quantidade significativa de folículos preservados. Por isso, começar a investigar a queda cedo pode fazer diferença. Em algumas doenças, esperar pode permitir que o problema avance e comprometa estruturas que não podem ser recuperadas. Nesse cenário, a medicina regenerativa pode fazer parte do cuidado, mas não substitui o tratamento da causa. A escolha deve levar em conta o diagnóstico, as condições do couro cabeludo e o que cada opção pode oferecer. No fim, mais tecnologia não significa necessariamente mais resultado. Antes de buscar o procedimento mais novo, entender por que os fios estão caindo continua sendo o ponto de partida.
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Queda de cabelo: novos tratamentos podem recuperar os fios?
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