Queda de 90% em fundo e rendimento abaixo da poupança: o que foi feito com o dinheiro dos aposentados do RJ no Master?
Investimentos feitos pelo Rioprevidência através do Banco Master tiveram queda de até 90% ou rendimento inferior à poupança. A CBN teve acesso à ata de uma reunião fechada realizada pela diretoria do Rioprevidência no dia 8 de maio, em que foi detalhada a situação dos chamados “ativos problemáticos” da carteira. Com base nesse documento e em relatórios obtidos, a reportagem rastreou o caminho do dinheiro aplicado pelo fundo previdenciário estadual e atualiza os valores para os dias de hoje. Algumas dessas perdas podem não ser revertidas.
Ao todo, cerca de R$ 3 bilhões foram investidos apenas pelo Rioprevidência. Segundo representação da Polícia Federal enviada ao STF, R$ 970 milhões foram aplicados em Letras Financeiras do Banco Master. Depois, foram feitos novos aportes em fundos estruturados pelo mesmo grupo, somando R$ 2,01 bilhões.
Os resultados analisados pela CBN mostram perdas expressivas, baixa rentabilidade e forte concentração de risco, exatamente como apontaram a Polícia Federal e o Tribunal de Contas do Estado.
A reportagem apurou que os recursos foram direcionados principalmente para quatro fundos: o Arena Fundo de Investimento em Renda Fixa, com R$ 1,37 bilhão em aportes; o Revolution Fundo de Investimento Renda Fixa Longo Prazo Crédito Privado, com R$ 481,48 milhões; o Texas I Fundo de Investimento em Ações, com R$ 150 milhões; e o Institucional Horizonte I Fundo de Investimento Renda Fixa Longo Prazo, com R$ 10 milhões. Juntos, os investimentos somaram os R$ 2,011 bilhões apontados pela Polícia Federal.
Os relatórios mais recentes do Rioprevidência mostram destinos bastante diferentes para cada aplicação.
Fundo teve perda de 90% desde aplicações realizadas
O caso mais grave envolve o Texas I FIA, fundo administrado pelo Master e concentrado em ações da Ambipar. Segundo a própria ata da diretoria, o Rioprevidência aplicou R$ 150 milhões no veículo, cujo valor de mercado despencou para aproximadamente R$ 14 milhões em maio, segundo ata de reunião obtida pela CBN. A redução é de mais de 90%.
Na reunião, a diretoria diz que há um “dilema” entre resgatar imediatamente os R$ 14 milhões restantes ou aguardar eventual recuperação da empresa para desinvestir em condições melhores. O tema ainda será submetido ao Conselho de Administração do Fundo Previdenciário.
Investimento investigado rendeu menos que a poupança
Já o Institucional Horizonte I Fundo de Investimento Renda Fixa Longo Prazo teve desempenho considerado baixo para os padrões do mercado. O investimento feito pelo Rioprevidência passou de R$ 10 milhões para cerca de R$ 10,65 milhões, rentabilidade aproximada de 6,5%. O rendimento ficou abaixo da poupança no mesmo período.
Outro fundo monitorado é o Revolution FIC Renda Fixa Longo Prazo Crédito Privado. Segundo os relatórios mais recentes do Rioprevidência, o investimento passou de R$ 481,48 milhões para cerca de R$ 550 milhões. Esse teve rentabilidade de pouco mais de 14%, sendo o único com retorno positivo relevante.
O investimento feito no Arena não consta nos relatórios atuais do Rioprevidência, indicando que o valor pode ter sido resgatado pela autarquia.
Há ainda os R$ 970 milhões em Letras Financeiras. Esses valores foram perdidos com a quebra do Banco Master, mas o governo tenta recuperá-los bloqueando pagamentos de consignados ao banco, como mostrou a CBN nesta quinta-feira.
CPI do Banco Master na Alerj foi tema da reunião
Na reunião, os diretores também trataram sobre a possível CPI do Banco Master na Alerj. O novo diretor-presidente, Felipe Derbli de Carvalho Baptista, determinou que o Rioprevidência adote postura proativa de transparência, publicando todas as informações não sigilosas sobre os investimentos problemáticos, inclusive processos judiciais em andamento, valores envolvidos, prazos de resgate e ações em curso.
