Lionel Messi conquistou o mundo com a bola nos pés. Entre os títulos celebrados por Barcelona, Paris Saint-Germain, Inter Miami, o atual clube, e a Seleção Argentina, são quase 50 troféus erguidos durante a carreira que ainda não tem data para terminar.
O que poucos sabem é que o craque de 39 anos também entrou para a história da botânica. Uma planta encontrada na porção peruana da Cordilheira dos Andes recebeu o nome científico de Salvia messii em homenagem ao jogador argentino. A descrição da espécie foi publicada na revista científica internacional Phytotaxa. Leia também: Você sabia? Técnico do Flamengo produz vinhos e tem azeite premiado internacionalmente Além da trajetória de Messi no futebol, outro detalhe reforça a escolha do nome: as flores da espécie são azuis e brancas, uma combinação que remete às cores da bandeira e do uniforme da Argentina, explica Paúl Henry Gonzáles Arce, botânico e pesquisador do Museu de História Natural da Universidade Nacional Mayor de San Marcos, no Peru, em entrevista à Globo Rural. “É um reconhecimento à extraordinária trajetória esportiva e à inspiração que ele representa para milhões de pessoas ao redor do mundo. Messi é um exemplo de perseverança, disciplina e talento. Sua história demonstra que, com esforço e dedicação, é possível alcançar grandes objetivos", afirmou o pesquisador.
"Além disso, quisemos estabelecer uma ligação entre o esporte e a ciência. Assim como Messi deixou uma marca no futebol, esperamos que a planta contribua para despertar interesse pela extraordinária biodiversidade dos Andes peruanos e pela necessidade de protegê-la. Nós, cientistas, também temos pessoas que nos inspiram, e Leo é uma delas”. A equipe responsável pela descoberta é formada também pelo biólogo peruano Jean Berti Capcha Ramos e o agrônomo argentino Rolando Uría. Conheça a planta que homenageia Messi Nativa e endêmica do Peru, a Salvia messii pertence à família Lamiaceae, a mesma da hortelã, do alecrim e do manjericão, e possui, entre as principais características, o porte, que pode atingir até 1,5 metro de altura, e as flores azuis e brancas. “Essa coincidência é especialmente bonita tratando-se de uma espécie dedicada a Lionel Messi pelas cores serem semelhantes às cores da bandeira argentina”, diz. Outra curiosidade está na grafia do nome científico. Enquanto o sobrenome do jogador é escrito com apenas um “i”, o nome da planta tem dois no final. Segundo o pesquisador, a diferença não representa um erro, ela segue as regras internacionais de nomenclatura botânica.
“Ao dedicar uma espécie para uma personalidade cujo sobrenome termina em vogal, devemos acrescentar um ‘i’ para formar o nome científico. Essa terminação expressa posse ou pertencimento. Por isso, a Salvia messii pode ser interpretada como a ‘planta de Messi’”.
Planta provavelmente habita os Andes há milhões de anos Paúl Henry Gonzáles Arce Descoberta revela risco à biodiversidade Embora tenha sido descrita cientificamente há pouco tempo, a Salvia messii já está classificada como ameaçada de extinção. A distribuição geográfica, restrita à porção peruana da Cordilheira dos Andes, contribui para o risco de desaparecimento. “A planta, provavelmente, habita os Andes há milhões de anos, mas a classificamos na categoria ‘Em Perigo’ porque apresenta um risco muito alto de desaparecer da natureza se as populações e habitats não forem conservados adequadamente. Não é um destino inevitável, mas um alerta”. Para Paúl Gonzáles, o caso leva a uma reflexão importante: podemos perder plantas antes mesmo que a ciência tenha a oportunidade de conhecê-las e que a sociedade saiba da existência.
“Nunca imaginei o impacto que o nome teria, mas fico extremamente feliz por ela ter despertado tanto interesse. Ela permite transmitir várias mensagens: que continuamos descobrindo e descrevendo espécies, que a pesquisa se constrói com a colaboração entre pessoas e que essa colaboração é fundamental para continuarmos avançando diante da crescente perda de biodiversidade. Além disso, lembra que nós, pesquisadores, somos pessoas com histórias, paixões e referências. No meu caso, Lionel Messi é um deles”.
Globo Rural