Quase metade dos alunos de faculdades privadas de medicina não atingiram nível de proficiência

 

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O Ministério da Educação divulgou, nesta segunda-feira, que somente 57,2% dos alunos de cursos de Medicina de universidades privadas foram considerados proficientes. No resultado geral do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), 75% dos médicos e estudantes foram aprovados com mais de 60% das questões. A prova foi criada para avaliar a qualidade do ensino superior em Medicina. Ao todo, 89 mil estudantes e profissionais foram avaliados em 200 municípios.

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O exame prevê faixas de 1 a 5 para qualificar a proficiência, sendo 1 o pior conceito e 5, o melhor. De 351 instituições que participaram da prova, 99 cursos de Medicina ficaram nas faixas 1 e 2, e poderão ser punidos. Os oito cursos que tiveram nota 1, já ficarão impedidos de realizar novo vestibular a partir do segundo semestre deste ano. Outros 13 cursos não poderão acessar ao Fies (Fundo de Financiamento ao Ensino Superior) e outros programas federais. Já os cursos que atingiram menos de 60% de proficiência não poderão aumentar o número de vagas — 45 faculdades deverão ser afetadas.

Agora, as faculdades terão prazo de 30 dias para apresentação de defesa sobre os resultados do exame.

"É urgente tomarmos medidas diante dos resultados do exame. Não tem sentido um curso cobrar R$10 mil, R$12 mil sem formar bons profissionais. E o Enamed vem com esse objetivo: melhorar a qualidade do ensino em Medicina", afirmou o ministro da Educação, Camilo Santana.

A primeira prova do Enamed ocorreu em outubro, e o governo deverá aplicar sanções aos cursos com mau desempenho. A divulgação das notas ocorre em meio à pressão das faculdades privadas.

A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) chegou a ingressar na Justiça pedindo, em ação civil pública, que fosse concedida tutela de urgência para impedir a divulgação das notas e afastar quaisquer sanções que possam vir a ser aplicadas pelo Ministério da Educação. A Justiça Federal rejeitou o pedido.

Na ação, a associação argumentou que o exame “padece de graves falhas regulatórias e procedimentais” e que o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) divulgou a metodologia de cálculo do conceito e os parâmetros de proficiência apenas dois meses após a realização das provas.