Quase metade (47,9%) da receita das lojas de departamento vem das vendas pela internet, percentual bem superior à de 9,8% na média do comércio varejista. O segmento é o que tem a maior participação desse canal de vendas no varejo. O perfil contrasta com o de hipermercados e supermercados, onde este percentual é de 1,6%. Em minimercados, mercearias e armazéns esse percentual ainda é menor, de 0,8%.
Os dados se referem ao ano de 2024 e são parte da Pesquisa Anual do Comércio (PAC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A metodologia da pesquisa mudou e os números não são diretamente comparáveis com os de anos anteriores.
Como referência, no entanto, os números de 2019 – ainda antes da pandemia – mostravam que as vendas pela internet respondiam por 5,3% da receita do varejo naquele momento. Essa parcela saltou para 8,4% em 2020 e 9,8% em 2021, depois caiu para 9,1% em 2022 e 8,8% em 2023.
“Uma parcela de quase 10% de receita vinda da internet é representativa, principalmente considerando que tem muitas empresas comerciais presenciais em todo o país. [...] Considero um número grande, alto. Afirmo categoricamente que 9,8% representa um grande valor da receita de vendas do comércio no país”, afirma o analista do IBGE Marcelo Miranda, responsável pela pesquisa.
Um dos pontos a se considerar nesse resultado, segundo ele, é o fato de que o segmento de hipermercados e supermercados é o que tem maior participação no faturamento total do varejo, com 12%. Como neste segmento a parcela de vendas pelos canais digitais é menor, isso contribui para puxar o resultado para baixo.
Entre os destaques das vendas pela internet também se destacam o comércio de equipamentos de informática e comunicação (44%) e de eletrodomésticos, equipamentos de áudio e vídeo, instrumentos musicais e acessórios (38,5%). Na parte de móveis, artigos de iluminação, peças e acessórios e outros artigos de uso doméstico, 22,2% de toda a receita das empresas vêm da internet.
“Mesmo quando pensamos as vendas de móveis, que poderia se esperar mais força do presencial, tem 22,2% da receita pela internet. É uma presença alta”, diz Miranda.
Outros segmentos com participação da receita das vendas pela internet acima da média geral de 9,8% são comércio de outros produtos novos e usados (19,7%), calçados, artigos de couro e viagem (19,2%), artigos culturais, recreativos e esportivos (13,7%), vestuário e complementos (12,4%) e produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ortopédicos e de óptica (10,7%).
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