O ano de 2026 marca a 30ª edição da lista das melhores empresas para trabalhar no Brasil. Ao longo dessas três décadas, o mundo corporativo passou por mudanças profundas.
A revolução tecnológica redefiniu modelos de negócios, a digitalização acelerou processos e a pandemia levou a novas formas de trabalho, consolidando os modelos híbridos e o home office como práticas. Nos últimos quatro anos, a inteligência artificial trouxe transformações ainda maiores, com o redesenho de processos, a requalificação de funcionários e a entrada de agentes de IA na força de trabalho.
Do lado dos funcionários, a pandemia, a hiperconectividade e a entrada da geração Z no mercado se combinaram para gerar novas demandas, como a busca por empresas com quem os profissionais possam compartilhar seus valores, a exigência de um propósito para o trabalho e a prioridade para o bem-estar, e não para a produtividade.
Em 2026, pela primeira vez na história da pesquisa, a qualidade de vida aparece como principal motivo de permanência dos funcionários nas 175 empresas classificadas, com 37% das respostas. Ter oportunidades de crescimento, o fator mais valorizado durante 20 anos seguidos, ficou em segundo lugar, com 33%.
Na sequência aparecem remuneração e benefícios (16%), alinhamento de valores (9%) e estabilidade no emprego (5%). As 175 vencedoras do prêmio Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil 2026 foram reveladas em 6 de outubro, em cerimônia realizada por Época Negócios, Valor e Great Place to Work no Espaço Unimed, em São Paulo, diante de uma plateia de 1.300 pessoas.
Foram premiadas empresas em três categorias, de acordo com o número de funcionários: gigantes, com 10 mil ou mais pessoas; grandes, com 1.000 a 9.999; e médias, com 100 a 999 colaboradores. Entre as gigantes, o topo do ranking ficou com Sicredi, Porto e Gazin.
MAG Seguros, Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e Tokio Marine Seguradora foram as três líderes na categoria grandes. Em médias, os três primeiros lugares foram para Grupo Visagio, Sicoob Metropolitano e Flexform.
“O GPTW é a prova de que ambiente de excelência é aquele no qual todos podem prosperar”, disse Tatiane Tiemi, CEO do GPTW Brasil, na abertura da premiação. “Há 30 anos, peguei um avião para ir aos Estados Unidos, pois queria descobrir o que é essa ideia de ‘melhor lugar para trabalhar’, um conceito que usamos até hoje.
Naquela época, dar voz aos funcionários era uma ideia quase subversiva. Bem-estar, licença-paternidade estendida e benefícios eram palavras que não faziam parte da comunicação corporativa”, acrescentou José Tolovi Junior, presidente do conselho do Great Place to Work Brasil e membro do conselho do Great Place to Work México, América Central, Espanha, França e Canadá, responsável pela chegada do ranking ao país.
“O que mais me orgulha é essa evolução do mundo do trabalho.” Maria Fernanda Delmas, diretora de redação do Valor e marcas segmentadas de economia e negócios da Editora Globo também destacou essas transformações e a importância dada pelos funcionários à qualidade de vida no estudo de 2026.
“As empresas precisam ser antenadas e criativas para oferecer o melhor ambiente de trabalho. Quem quer atrair e reter os melhores talentos precisa ir muito além dos benefícios tradicionais.
E ninguém conquista os empregados se não tiver propósito muito forte”, afirmou. Ela fez também uma homenagem a aqueles que se dedicam a ser os guardiões dos propósitos das empresas: os profissionais de recursos humanos e gestão de talentos.
A geração Z fez da flexibilidade sua principal característica” Segundo Daniela Diniz, diretora de comunicação e relações institucionais do GPTW, a busca por mais equilíbrio entre trabalho e vida pessoal ganhou força a partir de 2023, quando a Organização Mundial da Saúde declarou o fim da emergência de saúde pública causada pela covid, e os funcionários voltaram ao trabalho (de forma presencial ou híbrida) com prioridades diferentes das que tinham antes da pandemia.
Esse movimento coincidiu com uma maior participação da geração Z na força de trabalho. “Essa geração entrou no mercado em um momento de múltiplas possibilidades e fez da flexibilidade sua principal característica”, afirmou Diniz.
Na lista de 2026 das Melhores empresas para trabalhar, as mulheres são 44,5% da força de trabalho, enquanto os homens ocupam 55% das posições - 0,5% disseram não se identificar com os gêneros masculino ou feminino. O avanço da participação feminina é expressivo quando comparado ao ano 2000.
Naquele ano, as mulheres eram apenas 27% do quadro total de colaboradores e os homens, 73%. Apesar do avanço, ainda há espaço para evoluir, especialmente nos cargos de liderança: embora elas estejam presentes em 40% dessas posições, só exercem o cargo de CEO em 10% das empresas do ranking.
A percepção dos funcionários sobre o ambiente de trabalho também mudou de forma profunda em 30 anos de pesquisa. Aspectos como merecimento nas promoções, reconhecimento pelo bom trabalho e práticas mais éticas por parte da liderança avançaram significativamente.
Se a confiança e o reconhecimento seguem como pilares das melhores empresas para trabalhar, a capacidade de inovar é o fator mais relevante para determinar quem realmente está avançando. Entre os critérios avaliados pelo GPTW, o Índice de Velocidade da Inovação (IVR) revela como as organizações lidam com mudanças, experimentação e criatividade.
As empresas no estágio “atrito” apresentam processos de inovação travados e grande dificuldade para promover mudanças. Entre as vencedoras deste ano, 31% ainda se encontram nesse nível.
O estágio “funcional” reúne o maior número de empresas. Nele, as equipes conseguem gerar boas ideias, mas não respondem com rapidez às demandas do negócio.
Nesse grupo estão 48% das vencedoras. Por fim, 21% estão no estágio “acelerado”, em que a inovação acontece de forma consistente e ágil.
Valor