Lula prepara novo pacto com Centrão e exige fidelidade de partidos no governo

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25) para um quarto mandato, pretende reformular sua relação com o Centrão e estabelecer novas condições para a participação de partidos no governo federal. A estratégia busca assegurar maior fidelidade das legendas que ocupam cargos na Esplanada dos Ministérios, mas que frequentemente votam contra propostas do Palácio do Planalto no Congresso Nacional.

Segundo reportagem do jornal O Globo, publicada nesta segunda-feira (26), aliados de Lula avaliam que a composição do novo Congresso, marcada pelo fortalecimento da direita e da centro-direita, exigirá uma aproximação com partidos que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.

A intenção, porém, é substituir os acordos considerados frágeis por compromissos mais claros de sustentação política ao Executivo. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, responsável pela articulação política do governo, defendeu uma redefinição das condições para integrar a coalizão governista.

“No Congresso, temos que sentar, estabelecer o limite de quem é ou não é governo. Se os partidos do Centrão vão para o governo, precisam ser leais e fiéis, jamais continuar do jeito que está.

Os partidos da coalizão governista que forem para o governo precisam ser 100% governo, não essa relação tênue de ser governo e não ser. Ou é ou não é”, afirmou Guimarães.

A declaração sinaliza que o Planalto pretende cobrar alinhamento parlamentar em troca da manutenção de espaços na administração federal. A avaliação entre integrantes do governo é que a distribuição de ministérios e cargos precisa resultar em apoio efetivo às prioridades do presidente.

Lula reconhece Congresso conservador e defende negociação No primeiro pronunciamento após a vitória eleitoral, Lula reconheceu as dificuldades que enfrentará diante de um Legislativo no qual os partidos de esquerda permanecerão minoritários.

O presidente, entretanto, demonstrou disposição para negociar com os parlamentares eleitos. “Já tem gente falando ‘o Lula vai ter muita dificuldade para governar porque o Congresso está mais conservador’.

Eu não escolhi o Congresso. Foi o povo que escolheu.

E é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, declarou. Além das negociações institucionais, integrantes do entorno presidencial defendem a manutenção da mobilização popular registrada durante o segundo turno.

A participação de movimentos sociais e apoiadores nas ruas é considerada um dos fatores que contribuíram para a vitória do petista. Em uma transmissão ao vivo realizada na semana passada, Lula também mencionou a necessidade de construir uma nova forma de governar, com maior participação da sociedade nas decisões da administração federal.

Partidos com ministérios apoiaram Flávio Bolsonaro A revisão das alianças ocorre após divergências entre o governo e partidos que participaram da administração durante o terceiro mandato de Lula.

União Brasil, PP, Republicanos, PSD e MDB tiveram representantes em ministérios, embora as legendas mantivessem posições de independência no Congresso e não garantissem apoio sistemático às propostas do Executivo. Durante o segundo turno presidencial, União Brasil, PP e Republicanos declararam apoio a Flávio Bolsonaro.

MDB e PSD, por sua vez, liberaram seus diretórios estaduais para escolher entre os dois candidatos. A rapidez com que algumas dessas siglas aderiram à candidatura adversária provocou insatisfação no Palácio do Planalto.

Segundo a reportagem, integrantes do governo relataram que o presidente de uma dessas legendas chegou a afirmar, em conversas reservadas, que “a eleição já estava resolvida”, justificando assim seu apoio ao senador. A reação do Executivo incluiu a exoneração de indicados políticos ligados a partidos que apoiaram Flávio.

Entre os atingidos estava um aliado do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Agora, com a reeleição de Lula, a expectativa é que as negociações para a composição ministerial sejam conduzidas com maior exigência de compromisso político.

Parlamentares de partidos de centro que apoiaram o presidente no segundo turno, mesmo contrariando as orientações nacionais de suas legendas, também deverão receber atenção especial na formação da nova base governista. Hugo Motta e Davi Alcolumbre são peças centrais da estratégia

Uma das prioridades do governo será garantir a permanência de Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara dos Deputados e de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no comando do Senado. Ambos apoiaram Lula durante a disputa presidencial, contribuíram para o avanço de propostas defendidas pelo Planalto e reconheceram rapidamente sua vitória eleitoral.

A avaliação de interlocutores do presidente é que a boa relação com os dois dirigentes poderá facilitar a construção de uma maioria parlamentar capaz de aprovar projetos considerados estratégicos para o próximo mandato. Motta e Alcolumbre também deverão exercer influência sobre a escolha de representantes de seus partidos para ocupar posições na Esplanada dos Ministérios.

As eleições para as presidências das duas Casas ocorrerão em fevereiro, por votação secreta. Nos bastidores, entretanto, a situação dos atuais dirigentes é considerada distinta: enquanto Motta reúne uma ampla articulação partidária, Alcolumbre enfrenta resistência mais intensa de setores da oposição.

PL amplia bancada e chega a 121 deputados O novo cenário parlamentar impõe dificuldades adicionais ao governo.

O PL, partido de Flávio Bolsonaro, continuará com a maior bancada individual da Câmara, passando de 97 para 121 deputados, um crescimento de 24 cadeiras. O PT também ampliou sua representação, mas em proporção significativamente menor, passando de 68 para 70 parlamentares.

A federação formada por União Brasil e PP, que projetava conquistar a maior bancada da Câmara, registrou redução de 105 para 87 deputados. PSD e Republicanos permaneceram com bancadas próximas de 40 parlamentares cada, enquanto o MDB caiu de 41 para 36 cadeiras.

Apesar do crescimento do PL, a soma das bancadas de centro e centro-direita mantém esses partidos em posição decisiva nas negociações legislativas. Para aliados de Lula, a aproximação com essas legendas poderá permitir a formação de uma maioria parlamentar e, ao mesmo tempo, reduzir a influência do bolsonarismo sobre as decisões do Congresso.

Motta articula ampla aliança para permanecer na Câmara Na Câmara, Hugo Motta trabalha para consolidar sua recondução antes da votação de fevereiro.

O deputado já recebeu sinalizações favoráveis de PP, União Brasil, Republicanos, PSD, MDB, PSDB, Cidadania, Podemos, Solidariedade, PRD e Avante. Na quarta-feira da semana passada, também conquistou o apoio de PDT e PSB.

Parlamentares petistas reconhecem que o partido deverá apoiar formalmente sua permanência na presidência da Casa, com a expectativa de um anúncio ainda nesta semana. Durante a eleição presidencial, Motta fez campanha por Lula.

Na Paraíba, seu estado, o diretório do Republicanos foi autorizado a não seguir a orientação nacional da legenda de apoiar Flávio Bolsonaro. Outro movimento importante foi a aproximação com o líder do PSD, Antonio Brito, que chegou a ser apontado como possível candidato à presidência da Câmara.

Ao obter seu apoio, Motta reduziu o risco de uma candidatura concorrente dentro do próprio Centrão. A estratégia consiste em apresentar sua recondução como uma candidatura de amplo consenso, deixando o PL politicamente isolado, apesar de possuir a maior bancada individual da Casa.

O principal desafio será preservar a unidade desse grupo até fevereiro e evitar que disputas internas entre partidos de centro abram espaço para uma candidatura apoiada pelo bolsonarismo. Alcolumbre enfrenta resistência da direita no Senado

No Senado, a situação de Davi Alcolumbre é considerada mais delicada. O PL contará com 28 senadores, número superior a um terço das 81 cadeiras da Casa, ampliando sua capacidade de articulação contra a recondução do atual presidente.

Parlamentares de direita eleitos em outubro, como Guilherme Derrite (PP-SP), André do Prado (PL-SP), Marcel Van Hattem (Novo-RS), Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Evair de Melo (Republicanos-ES), rejeitam a possibilidade de apoiar Alcolumbre. O senador Rogério Marinho (PL-RN) aparece como o nome mais forte do bolsonarismo para disputar o comando do Senado.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também se apresenta como pré-candidata. Diferentemente de Motta, Alcolumbre ainda não consolidou uma ampla rede de compromissos partidários para a eleição.

Mesmo assim, dirigentes do União Brasil consideram que o atual presidente do Senado dispõe de instrumentos políticos e institucionais para disputar sua recondução. Entre as iniciativas de aproximação com os novos parlamentares estão a distribuição de gabinetes, apartamentos funcionais e outras estruturas administrativas sob responsabilidade da presidência do Senado.

Aliados também apostam no relacionamento construído com o governo Lula durante a tramitação de propostas importantes, como a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a medida provisória relacionada ao fim da chamada taxa das blusinhas. O apoio a essas iniciativas é considerado um elemento favorável à manutenção da parceria entre Alcolumbre e o Executivo.

Ainda assim, integrantes da base governista reconhecem o risco de que o PL e outros partidos de oposição consigam reunir votos suficientes para eleger um presidente do Senado alinhado a Flávio Bolsonaro. Governabilidade será o primeiro desafio do quarto mandato

A negociação com o Centrão será uma das primeiras provas políticas de Lula após sua reeleição. Embora tenha conquistado um novo mandato presidencial, o petista enfrentará um Congresso no qual a oposição ampliou sua presença e os partidos de centro conservaram capacidade de determinar o andamento das principais votações.

Nesse contexto, a estratégia do governo combina três movimentos: exigir maior fidelidade das legendas que ocuparem ministérios, fortalecer a relação com parlamentares de centro que apoiaram Lula e trabalhar pela recondução dos atuais presidentes da Câmara e do Senado. A expectativa entre aliados é que uma coalizão mais comprometida com as prioridades do Executivo permita superar as dificuldades enfrentadas no terceiro mandato, quando partidos com representação no governo frequentemente adotaram posições contrárias às orientações do Planalto.

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