O aporte de R$ 494,5 milhões que transformou a Enter no último unicórnio brasileiro em maio foi uma das transações mais importantes para a indústria de private equity, venture capital e corporate venture capital (CVC) do Brasil em 2026. Segundo dados da ABVCAP, o setor somou R$ 4,5 bilhões em investimentos entre janeiro e agosto deste ano – sendo o volume investido em venture capital totalizado em R$ 3 bilhões, com 54 rodadas.
O valor é menor do que o mesmo período de 2025, que somou R$ 3,67 bilhões em 60 rodadas. Tecnologia da Informação respondeu por 57,4% das rodadas do ano. Serviços Financeiros vem em seguida, com 20,4%. Entre as maiores transações do ano estão exatamente a rodada da Enter, com os fundos Founders Fund, Kaszek, ONEVC, Ribbit Capital e Sequoia, e a rodada de R$ 300 milhões na Presença, com acionistas atuais. O volume investido em private equity somou R$ 1,1 bilhão no período, em 35 transações. No mesmo intervalo de 2025 haviam sido R$ 15,8 bilhões em 53 transações, impulsionados por um conjunto pontual de operações de grande porte, como o aporte de R$ 4,2 bilhões na Serena Energy, feito por Actis e GIC. Entre as maiores transações de 2026 estão o investimento de R$ 400 milhões na ISH Tech, feito pela SPX Capital, que deu origem à Vision Cybersecurity, e o aporte de R$ 130,1 milhões na Segura, feito pela Riverwood Capital. Os dados fazem parte do panorama divulgado pela ABVCAP durante o Congresso ABVCAP 2026, realizado pela associação e pela ApexBrasil. O levantamento também mostrou R$ 20,3 bilhões em desinvestimentos de private equity via venda estratégica no período, montante impulsionado pela venda da Serra Verde Mineração, de R$ 13,9 bilhões.Em saídas de venture capital, foram sete vendas estratégicas, somando R$ 1 bilhão, e duas vendas secundárias, sem valor divulgado.
O CVC somou R$ 417,7 milhões investidos no período, em 15 transações. No mesmo intervalo de 2025 foram R$ 646,9 milhões em 24 transações. Tecnologia da Informação concentrou 69% das transações de CVC do ano. O Brasil segue como principal origem de capital corporate na região, com quase 80% das transações identificadas no período. Entre os maiores aportes com participação de CVC no ano estão o investimento de R$ 100 milhões na Mercado Bitcoin, feito pela Tether com participação do SoftBank, e o aporte de R$ 95 milhões na Mevo, com PanVel Farmácias e Prosus. "Os números mostram uma indústria mais seletiva. Menos transações, mas com gestores mais disciplinados na escolha de ativos e no preço de entrada. É esse tipo de disciplina que sustenta bons retornos nos anos seguintes", diz Priscila Rodrigues, presidente da ABVCAP. Mais Lidas
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