A menos de um mês das eleições, o presidente do PT, Edinho Silva, defendeu que a Executiva nacional "levante mais a voz" sobre a reforma do Poder Judiciário, em meio à escalada da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), e dê início a um debate sobre mandatos para cortes superiores. Em sua visão, não há democracia sólida com um Judiciário fraco, mas negou que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deva usar o tema de forma oportunista para enfraquecer ainda mais a instituição.
"Não adianta a gente ficar com uma campanha pensada numa conjuntura de dez dias, se a conjuntura mudou totalmente. A campanha tem que se alinhar à conjuntura que nós estamos vivenciando", comentou Edinho, após reunião com a legenda, nesta quinta-feira (10). Crise no STF atinge Lula e Flávio de forma parecida nas redes sociais Maria Cristina Fernandes: As pressões que se acumulam sobre o gabinete de Fachin
Durante o dia, o PT fez reuniões com a Executiva nacional para alinhar a campanha de Lula, em meio à crise no Judiciário, e fazer uma espécie de freio de arrumação, após pesquisas mostrarem um empate entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno. Internamente, a legenda prevê um impacto a Lula, mas ainda calcula a dimensão e debate a estratégia para lidar com o episódio.
O partido chegou à conclusão de que será preciso "levantar mais a voz" sobre a reforma do Poder Judiciário e defender a ideia de mandatos para ministros de Cortes – atualmente os magistrados ficam até completarem 75 anos. Também vai dar início a uma discussão sobre reformulação nos órgãos de controle do Judiciário e Ministério Público. A sugestão deve aparecer em resolução da sigla, que deve ser publicada ainda hoje.
"Estamos falando de ampliação do CNMP [Conselho Nacional do Ministério Público], ampliação do CNJ [Conselho Nacional de Justiça], para que a sociedade civil tenha mais assentos nos órgãos que fiscalizam. E também a questão de mandatos para as Cortes", comentou o presidente do partido.
"Nós sabemos que não há democracia sólida com Judiciário fraco. Não há democracia que seja efetivamente estável com um Judiciário instável e enfraquecido aos olhos da sociedade", complementou. "Então, nós estamos defendendo uma reforma para fortalecer o Poder Judiciário, não para desgastá-lo."
Em sua leitura, a atual crise no STF é nociva porque a sociedade passa a não acreditar nas instituições. "Esse sentimento antissistema leva a resultados muito ruins, às vezes à tragédia", afirmou.
Mesmo assim, Edinho negou qualquer oportunismo em passar a defender a reforma da Corte Suprema em meio à sua crise. Ele defende que essa pauta é uma bandeira antiga do partido, mas que, como a realidade mudou, a campanha precisa se alinhar a ela.
Edinho, então, disse que foi acordado que a campanha de Lula precisa ser mais enfática naquilo que o partido defende. "A gente tem que deixar claro para a sociedade o que é que nós estamos defendendo em relação à reforma judiciária, reforma política eleitoral, sendo enfático também na questão da reforma da renda, na defesa da renda das famílias", exemplificou.
A equipe política ainda dimensiona o impacto negativo dessa crise no pleito, a pouco mais de 20 dias do primeiro turno. Se por um lado, parte da campanha vê que pode fortalecer o discurso da transparência e da investigação a todos, especialmente no âmbito da investigação do Banco Master, por outro lado, também alegam que coloca todas as instituições sob suspeita.
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