A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (24) que o petista percorrerá de carro aberto um trecho da Avenida Paulista, em São Paulo, durante o ato de encerramento de sua campanha. O coordenador da campanha no estado, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, disse que a organização pediu à Polícia Militar que mantenha as câmeras corporais ligadas durante toda a manifestação e que os agentes estejam identificados.
— O fundamental é que as câmeras permaneçam ligadas. Esse foi o primeiro pedido que nós fizemos.
E o segundo, para que os membros da tropa estejam devidamente identificados — afirmou o advogado, que disse ter formalizado a solicitação junto às autoridades. Segundo o advogado, a campanha ainda não havia recebido resposta da PM.
Ele afirmou que a identificação dos policiais e o funcionamento das câmeras são importantes para registrar eventuais ocorrências e permitir a responsabilização dos envolvidos. A organização também pediu que os agentes da Guarda Civil Metropolitana estejam identificados e mantenham as câmeras ligadas.
Preocupação com segurança O presidente estadual do PT, Kiko Celeguim, também participou da coletiva e afirmou que a campanha tomou medidas para evitar conflitos e definir os procedimentos de segurança para o ato.
Segundo ele, a organização comunicou a manifestação às autoridades e participou de uma reunião com representantes da Polícia Militar, da Prefeitura, da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e do Metrô. De acordo com Kiko, durante a reunião, realizada no dia 20, as autoridades solicitaram a instalação de tapumes nas entradas de estações do Metrô na região da Avenida Paulista para proteger o patrimônio público de pichações e atos de vandalismo.
A campanha contratou o serviço e começou a instalar as estruturas na noite de sexta-feira (23). Por volta de 1h, porém, a empresa responsável teria sido informada de que os tapumes deveriam ser retirados porque o próprio Metrô adotaria medidas para proteger as estações
Segundo Kiko, cerca de 70% do material já havia sido instalado quando a campanha recebeu a orientação para interromper o serviço e retirar as estruturas. — A gente atendeu ao argumento de proteger o mobiliário urbano, mas, ao longo do processo, quando 70% do material já estava instalado, nos obrigaram a retirar esse material sob o argumento de que o Metrô tomaria as providências — afirmou.
No lugar dos tapumes, grades foram instaladas nas entradas das estações do Metrô na região da Avenida Paulista. Procurado pelo GLOBO para esclarecimentos, o Metrô não retornou o contato da reportagem até a publicação deste texto.
Marco Aurélio disse que a campanha mobilizou advogados para acompanhar a manifestação e atuar como interlocutores junto às autoridades em caso de ocorrências. Segundo ele, o grupo Prerrogativas e o Sindicato dos Advogados de São Paulo participam da iniciativa.
A organização também alterou o trajeto inicialmente previsto para o ato. De acordo com Marco Aurélio, a caminhada não seguirá pela Rua da Consolação até a Praça Roosevelt, como havia sido planejado.
A dispersão deverá ocorrer na Praça do Ciclista, após um pedido das autoridades para evitar problemas no trânsito e riscos à segurança dos manifestantes. A concentração está prevista para as 14h.
Lula percorrerá cerca de 1,2 quilômetro em carro aberto. A campanha estima que o trajeto leve aproximadamente uma hora e meia e espera reunir mais de um milhão de pessoas, mas não explicou como chegou a essa estimativa.
Marco Aurélio afirmou que a orientação de Lula é para que o evento transcorra pacificamente. O advogado também criticou episódios de tensão registrados em manifestações anteriores e disse que a campanha recorrerá aos meios legais caso haja violência ou atuação irregular de agentes públicos.
O Globo