PT acusa Banco Central de ceder ao mercado com juros a 13,75%

PT acusa Banco Central de ceder ao mercado com juros a 13,75% - Foto
Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

O Banco Central interrompeu na quarta-feira, 4 de novembro, o ciclo de corte de juros e manteve a Selic em 13,75% ao ano, patamar que encarece o crédito de famílias e empresas. O vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), acusou o comitê de sucumbir à pressão do mercado financeiro.

Para o deputado, o mercado previa queda dos juros caso Flávio Bolsonaro vencesse a eleição presidencial. Com a vitória de Lula, diz Lindbergh, a queda foi interrompida e o corte formalizado pelo comitê.

A explicação oficial do Banco Central é outra. O comitê aponta incerteza fiscal e pressões sobre a inflação no curto prazo, e a maioria dos analistas já esperava a manutenção da taxa diante do risco de as contas públicas seguirem no vermelho.

A Selic é o juro básico que serve de referência para todos os empréstimos do país. Parada em 13,75% ao ano, ela mantém caro o cartão de crédito, o cheque especial e o financiamento da casa própria.

Quem vive de juros recebe um rendimento que sai do bolso de quem precisa de crédito para tocar a vida. O pequeno empresário adia investimento e contratação, e o consumo das famílias esfria.

As parcelas do cartão e do crediário embutem a Selic, e o juro alto aparece na hora de financiar um carro ou uma geladeira. Para o comércio, o crédito caro reduz as vendas e adia planos de expansão.

O Brasil convive com um dos juros reais mais altos do mundo, o que encarece o investimento produtivo e trava a indústria. A taxa parada nesse patamar mantém o país no fim da fila da comparação internacional.

Para os defensores da taxa alta, segurar os juros é o único caminho para ancorar a inflação e evitar que a alta de preços corroa o salário. Para os críticos, o remédio trava o crescimento e concentra renda em quem já vive de aplicação financeira.

Lula fará um pronunciamento no domingo, 8 de novembro, em que promete responsabilidade fiscal sem cortar programas sociais. Assessores do presidente dizem que não haverá estelionato eleitoral, a promessa de campanha abandonada depois da posse.

Estelionato eleitoral é a expressão usada para o candidato que, eleito, adota medidas contrárias ao que prometeu na campanha. Apesar do nome, não é crime previsto na legislação brasileira.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, fecha com a equipe medidas para cumprir o centro da meta fiscal a partir de 2027, quando se prevê superávit primário de 0,5% do PIB. Até agora, só há promessas, sem detalhamento do que será proposto.

As propostas devem ser levadas a Lula depois de viagem à Turquia, onde o presidente participa de conferência do clima. Ele embarca na segunda-feira, 9 de novembro, e retorna na quinta, 12.

Duas vagas de diretoria estão abertas no Banco Central, nas áreas de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro. Mais duas abrem em fevereiro, em Política Monetária e Fiscalização.

A autonomia do Banco Central, aprovada em 2021, dá mandatos fixos aos diretores e limita o poder do presidente de trocar a cúpula ao sabor da conjuntura. Cada indicação para o comitê é lida como sinal sobre o rumo da política monetária.

No PT, há quem defenda que Lula indique diretores mais alinhados à queda de juros. Interlocutores do presidente dizem que ele não fará isso, para não comprar crise com os investidores.

Auxiliares avaliam que nomear diretores afinados com a redução da taxa seria lido como interferência política num Banco Central autônomo. Eles temem que o gesto pressione o câmbio e afaste investidores.

O PT chegou a defender uma proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, que previa Selic de 7,5% ao ano em doze meses. O plano também criaria um teto para a taxa e para a meta fiscal.

Economistas criticaram a ideia por nunca ter sido testada em outro país. Para eles, a proposta representaria risco à estabilidade e poderia afastar investidores.

A Selic em 13,75% ao ano mantém o crédito caro, e quem atrasa a fatura do cartão vê a dívida crescer mais rápido do que a renda. A decisão pendente sobre as diretorias do Banco Central indicará se o governo enfrenta a pressão do mercado ou cede a ela.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →