PSOL exige negociação para liberar Erika Hilton, Boulos e outros parlamentares ao PT

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A direção do PSOL pretende condicionar a saída de parlamentares que planejam migrar para o PT a uma negociação formal sobre os termos da desfiliação. O movimento atinge integrantes da corrente Revolução Solidária, ligada ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e à deputada federal Erika Hilton, que se distanciaram da atual cúpula da legenda após divergências sobre a estratégia de alianças partidárias.

Segundo informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, o partido não pretende conceder automaticamente cartas de anuência aos parlamentares interessados em deixar a sigla. A decisão pode afetar diretamente Erika Hilton (SP), Natalia Boulos (SP) e Rick Azevedo (RJ), os dois últimos eleitos deputados federais em outubro.

Outros integrantes do grupo também avaliam acompanhar a mudança para o PT. A movimentação inclui o próprio Guilherme Boulos, deputado federal licenciado que ocupa o Ministério da Secretaria-Geral da Presidência, além de deputados estaduais e vereadores vinculados à Revolução Solidária.

A expectativa é de que a relação de políticos interessados na transferência possa crescer. Decisão do TSE amplia poder de negociação do PSOL

Um dos principais fatores que alteraram as condições para a saída dos parlamentares foi uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tomada na terça-feira (27), que reconheceu o cumprimento da cláusula de barreira pelo PSOL e pela Rede Sustentabilidade, partidos que integram uma federação.

Antes desse reconhecimento, a situação da legenda poderia permitir a desfiliação de parlamentares sem a perda do mandato, em razão da exceção prevista para partidos que não alcançam os requisitos mínimos de desempenho eleitoral. Com a decisão do TSE, essa possibilidade deixa de servir como justificativa para a saída dos deputados do PSOL.

Pelas regras de fidelidade partidária, deputados eleitos pelo sistema proporcional que desejam mudar de legenda fora das hipóteses legalmente autorizadas precisam obter uma carta de anuência da direção partidária para preservar o mandato. Na ausência dessa autorização ou de outra justa causa reconhecida pela legislação, a mudança pode resultar em questionamento na Justiça Eleitoral e eventual perda do cargo.

Grupo de Boulos rompeu com direção após disputa sobre federação com o PT O conflito entre a Revolução Solidária e a direção do PSOL ganhou força no início de 2026, quando o grupo ligado a Guilherme Boulos e Erika Hilton foi derrotado em uma disputa interna sobre a formação de uma federação partidária com o PT.

A proposta defendida pela corrente buscava aprofundar a integração institucional entre as duas legendas, mas não obteve o apoio necessário dentro do PSOL. A derrota ampliou o distanciamento político entre os integrantes da Revolução Solidária e a atual direção partidária, abrindo caminho para a possibilidade de transferência coletiva ao PT.

Apesar das divergências, o grupo permaneceu no PSOL durante as eleições de outubro. Agora, seus integrantes argumentam que essa permanência contribuiu para que a legenda alcançasse os índices exigidos pela cláusula de barreira.

Esse é um dos principais argumentos utilizados pelos dissidentes nas discussões sobre a desfiliação, uma vez que consideram ter colaborado para a manutenção das condições de funcionamento parlamentar da sigla. Saída de parlamentares dependerá de acordo político

Integrantes do PSOL ouvidos pela Folha indicam que os parlamentares interessados em mudar de partido precisarão negociar individual ou coletivamente as condições de desligamento. A posição da direção representa um obstáculo adicional para a transferência dos quadros da Revolução Solidária ao PT, especialmente no caso de deputados federais que dependem da autorização partidária para reduzir o risco de perda do mandato.

O impasse também evidencia as diferenças estratégicas dentro do campo da esquerda. Enquanto o grupo de Boulos defendeu uma aproximação institucional mais profunda com o PT, a direção do PSOL rejeitou a proposta de federação entre as duas legendas.

O reconhecimento do cumprimento da cláusula de barreira fortalece a posição da direção nas negociações, mas não significa que a saída dos dissidentes esteja definitivamente impedida. O desfecho dependerá das tratativas entre os parlamentares e a cúpula partidária, além da eventual aplicação das regras de fidelidade partidária aos casos concretos.

Legenda: Guilherme Boulos e Erika Hilton integram grupo político que articula saída do PSOL em direção ao PT após divergências com a direção partidária Tags: PSOL, PT, Guilherme Boulos, Erika Hilton, Natalia Boulos, Rick Azevedo, Revolução Solidária, TSE

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