Aproximadamente 60 pacientes estão internados nos corredores do Hospital Pronto Socorro Mário Pinotti, localizado na travessa 14 de Março, no bairro do Umarizal, em Belém. Servidores da saúde do PSM da 14 denunciam com a situação está próxima do colapso com a superlotação do hospital e a não transferência dos pacientes, devido a atrasos nos pagamentos dos hospitais conveniados. A grande lotação tem gerado o esgotamento das equipes de saúde e uma situação de caos no atendimento aos pacientes, aumentando o risco de mortes e de contaminação hospitalar.
A denúncia feita pela Associação dos Servidores de Saúde do Município de Belém (Assesmub) aponta que uma série de problemas tem se avolumado há 15 dias no Hospital Mário Pinotti. A reportagem entrou solicitou posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) sobre a situação e aguarda posicionamento. O espaço segue aberto.
“Há um colapso no andar térreo, quando a gente não consegue colocar paciente em lugar nenhum. Não tem maca, não tem colchonete, não tem lugar. Tinham pacientes deitados em macas que não tem suporte. Tem idosos em macas e colchonetes no chão. Está um absurdo!”, denuncia a servidora pública e diretora da Assesmube Rosana Rocha. “Onde vão colocar essas pessoas? Tem gente com pé de diabético infectado, que pode gerar contaminação cruzada. As equipes médicas dizem que não podem mais obedecer a nenhum protocolo. A direção do hospital sumiu no feriado do Círio. Não há coordenação, a direção largou tudo”, reclama.
Os pacientes estão internados nos corredores sem nenhum tipo de diferenciação, o que pode ocasionar infecção hospitalar cruzada, que é a transferência indireta de microrganismos patogênicos (como bactérias, vírus e fungos) de um paciente, superfície ou objeto contaminado para um local ou outro indivíduo.
A situação do Pronto Socorro da 14 de Março piorou nos últimos 15 dias devido a não transferência de pacientes para outros hospitais conveniados da rede de Belém do Sistema Único de Saúde. As transferências teriam caído drasticamente devido ao não pagamento dos hospitais particulares conveniados pela Prefeitura Municipal de Belém. A gestão estaria com os repasses para os hospitais atrasados, o que diminuiu a quantidade de pacientes que são transferidos do Hospital Mário Pinotti, que funciona em sistema de portas-abertas.
O Núcleo de Regulação de Transferência e Cadastro de Leitos do Hospital (NIR) teve os servidores efetivos substituídos por profissionais contratados pela empresa terceirizada Tríade, contratada pela Sesma para disponibilizar as equipes médicas para o hospital. O setor que era formado por um médico e um enfermeiro efetivos tem agora apenas por uma médica, que realiza os atendimentos à distância.
A precariedade também seria devido a terceirização que ocorreu com a contratação da empresa Tríade, que é a responsável pela contratação de médicos para o hospital Mário Pinotti. A nova terceirizada estaria contratando médicos sem experiência para o atendimento na alta complexidade. A Tríade ficou responsável pelos setores críticos do hospital. Muitos profissionais tem desistido após perceberem as condições de trabalho.
Desta forma, o setor de fundamental importância do hospital passou a ser gerenciado pela terceirizada. O NIR faz as solicitações ao Departamento de Regulação (DERE) da Sesma, que indica para onde os pacientes devem ser transferidos, porém não estariam ocorrendo as transferências. A Associação aponta que não há mais leitos rotativos no hospital nos últimos 15 dias, já que não há liberação para vagas solicitadas pelo NIR.
De acordo com a associação, os hospitais conveniados determinaram a diminuição ou suspensão de oferta de leitos para pacientes do Hospital Mário Pinotti. Os hospitais conveniados ao SUS não estariam recebendo os repasses da Sesma. Há mais diferentes especialidades suspensas como clínica médica, neurocirurgia, traumatologia e outras. Além dos pacientes internados no Pronto Socorro haveria ainda 20 pacientes de traumatologia aguardando em casa a internação em hospitais conveniados.
A lotação, acima das condições da estrutura, piorou o atendimento e precarizaram ainda as condições de trabalho e sobrecarga de serviço dos servidores plantonistas. Rocha denuncia que os servidores estão esgotados e adoecidos, o que leva ao aumento das faltas aos plantões e, por sua vez, a piora do atendimento aos pacientes.
As equipes do PSM da 14 reclamam estar sem supor da Guarda Municipal com o risco constante de serem agredidas pelos acompanhantes dos pacientes, que estão internados em condições precárias no hospital. A dificuldade de atender adequadamente os pacientes resulta que os acompanhantes briguem com as equipes plantonistas.
“As equipes estão faltando, porque não aguentam mais. Estão extremamente cansadas, outras estão passando plantão e não estão comparecendo. A gestão estava dando 10 plantões extras para os servidores, porque não querem chamar concurso público, fazem contratos, levam servidores das UPAs, socorristas do SAMU, de outros lugares, mas está muito pesado para o plantão”, detalha.
A Associação solicita medidas urgentes para que o sistema de regulação da Sesma libere leitos para a transferência de pacientes para outros hospitais conveniados no Sistema Único de Saúde (SUS). O retorno da equipe fixa de servidores efetivos no Núcleo de Regulação do PSM da 14, com médico e enfermeiro, em todos os plantões, capacitados para atuar no hospital de alta complexidade. Agendamento mensal de inspeções no Hospital Mário Pinotti para fortalecimento das ações de melhoria do atendimento, além de outras medidas.
Uma reunião está agendada para às 15h, dessa quinta-feira (15), pelo procurador do Ministério Público Federal (MPF) Patrick Colares com representantes dos servidores, do Conselho Regional de Medicina (CRM), Sindicato dos Médicos do Estado do Pará (Sindmepa), diretores do Hospital e representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma). O Sindmepa informou que se manifestará sobre a situação do Hospital Mário Pinotti após a reunião.
O Liberal