No futebol, nem tudo se resolve com treinamento tático, preparação física ou mudanças na escalação. A maneira como os jogadores lidam com a pressão, as derrotas e as reviravoltas durante uma partida também pode influenciar o desempenho dentro de campo.
No Paysandu, esse trabalho é desenvolvido de forma incessante. WhatsApp: saiba tudo sobre o Paysandu
É o que revela a psicóloga Thaysse Gomes, que atua junto ao elenco ao longo do ano. Ela concedeu entrevista ao programa Esporte Cultura, apresentado pelo jornalista Mateus Miranda e contou um pouco sobre o funcionamento da psicologia no Papão da Curuzu.
Segundo Thaysse, o acompanhamento psicológico muda conforme as necessidades do grupo e o momento da temporada. O trabalho envolve atendimentos individuais, atividades coletivas e intervenções em campo, com atenção aos aspectos cognitivos e emocionais dos atletas.
“Eu faço as intervenções individuais, coletivas e em campo, trabalhando o cognitivo dos atletas”, explicou. VEJA MAIS
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Um dos desafios da temporada foi lidar com a repercussão da derrota por 7 a 0 para o Nacional, na Copa Norte. Para a psicóloga, antes de definir as estratégias de acompanhamento, é necessário compreender o significado daquele resultado para os jogadores e para o clube.
“Eu preciso entender o que a derrota significou para os atletas, seja na temporada, seja no geral. Preciso saber o que aquilo significa para o clube enquanto instituição.
E aí, sim, eu monto um trabalho para esse elenco”, afirmou. Thaysse ressaltou que sentir tristeza após um resultado negativo é natural.
O trabalho psicológico, porém, busca transformar a experiência em aprendizado, sem permitir que a frustração comprometa o desempenho futuro. “Tudo bem ele sentir, ficar triste, mas, além disso, o que eu tenho de aprendizado?”, questionou.
Thaysse Gomes é quem e lida com o elenco bicolor quando o assunto é a mente.(Foto: Ascom/Paysandu) Controle emocional e família
A psicóloga também relacionou a capacidade de reação do Paysandu em momentos adversos, incluindo as viradas na Série C, ao trabalho conjunto entre os profissionais do clube, a comissão técnica e os jogadores. Para ela, o alinhamento entre esses setores é fundamental para alcançar bons resultados.
“Eu acredito que isso é fruto de um trabalho conjunto. Se a gente, enquanto clube e comissão técnica, não estivermos alinhados, fica difícil ter bons resultados”, avaliou.
Outro aspecto importante é o controle emocional durante as partidas, especialmente em situações de pressão, como o intervalo de um jogo ou momentos em que o coração acelerado e a tensão podem interferir nas decisões. “Eu preciso que esse atleta se deixe sentir as coisas.
Isso não é um problema. O problema é isso te controlar”, explicou.
Segundo Thaysse, técnicas de autocontrole ajudam os jogadores a administrar essas emoções e a responder melhor às situações do jogo. Fora de campo, a família também ocupa espaço importante no acompanhamento.
A psicóloga mantém contato com familiares e busca aproximá-los do clube, entendendo que a rede de apoio pode ajudar o atleta a enfrentar as oscilações da carreira. “O futebol é um meio que muda muito, e a família se torna uma rocha onde o jogador tem o apoio”, destacou.
Thaysse também utiliza a bola nas intervenções psicológicas, buscando reconstruir a relação do atleta com o principal instrumento de trabalho, especialmente depois de experiências negativas. A proposta é fazer com que o jogador não associe a bola apenas à cobrança e à pressão, mas também ao conforto e à confiança.
O Liberal