Protestos em quatro países europeus exigem moradia e investimento social

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – Centenas de milhares de pessoas foram às ruas da França, Espanha, Itália e Portugal neste sábado (24) em manifestações por moradia, educação, salários e proteção social. Segundo a teleSUR, os atos também reuniram críticas ao aumento do custo de vida e dos gastos militares, além de manifestações contra a extrema direita e em solidariedade ao povo palestino.

A maior mobilização ocorreu na França, onde os organizadores contabilizaram mais de 800 mil participantes em quase 300 manifestações. A reportagem da teleSUR relata que o governo mobilizou mais de 70 mil policiais e que cerca de mil pessoas foram detidas no país.

Na Itália, houve confrontos em diferentes cidades, enquanto portugueses e espanhóis protestaram contra a crise habitacional e a perda de poder de compra. Embora tenham pautas específicas, as manifestações convergiram na cobrança por mais recursos para serviços públicos e por respostas ao encarecimento das despesas básicas.

Em alguns países, os movimentos também discutem novas paralisações para ampliar a pressão sobre os governos. França reúne protestos contra Macron e a extrema direita

Na França, sindicatos, estudantes e integrantes dos coletes amarelos participaram de mais uma jornada nacional de mobilização. As reivindicações incluíram medidas contra o custo de vida, melhorias nas condições de estudo e críticas à atuação do presidente Emmanuel Macron.

Segundo os organizadores, a participação ficou no mesmo patamar da semana anterior, apesar da proibição de algumas concentrações e da transferência de trajetos para áreas periféricas. Em Paris, mais de 100 mil pessoas marcharam, conforme os números apresentados pela reportagem.

O percurso na capital ligou a Porte d’Italie à Porte de Vincennes, distante da região central. Embora a marcha tenha transteriormente incorporada por outros setores.

Durante a manifestação em Paris, o líder de esquerda Jean-Luc Mélenchon cobrou concessões de Macron e afirmou que a resistência do governo poderia levar à continuidade dos atos semanais e a uma greve geral. “Ainda está a tempo de ceder; depois, só lhe restará a porta de saída.

Ceda e pare de nos fazer perder tempo”, declarou à imprensa. Mélenchon também criticou a alteração do itinerário da marcha, o emprego de militares na proteção de prédios públicos e a recomendação para que comerciantes contratassem segurança privada.

Na avaliação dele, essas medidas contribuíam para elevar a tensão. Ao mesmo tempo, pediu aos participantes que mantivessem a calma e seguissem as orientações dos sindicatos.

Em Orléans, mais de 25 mil pessoas participaram de um ato contra a extrema direita, segundo a reportagem. A manifestação foi organizada por cerca de 50 entidades, entre elas a Confederação Geral do Trabalho (CGT), no fim de semana em que Marine Le Pen promovia atividades políticas na cidade.

As autoridades estabeleceram trajetos para manter separados os manifestantes de esquerda e os apoiadores da dirigente de extrema direita. Entre as palavras de ordem estavam “Não ao fascismo” e “O povo unido jamais será vencido”.

Italianos criticam recursos para armas e falta de investimento na educação Na Itália, milhares de pessoas, sobretudo jovens, protestaram em Roma, Milão, Turim, Nápoles, Bolonha e Florença.

As manifestações combinaram reivindicações contra o preço da moradia e o encarecimento da vida com críticas à guerra e aos gastos militares. O esquema de segurança incluiu fiscalização em estações e proteção preventiva de áreas comerciais, após os distúrbios registrados no fim de semana anterior em Milão.

Houve confrontos em diferentes localidades, com momentos de maior tensão em Bolonha e Turim. Em Roma, a polícia utilizou veículos com canhões de água para dispersar manifestantes.

Em Turim, um grupo incendiou uma fotografia da primeira-ministra Giorgia Meloni. Já em Milão, estudantes marcharam acompanhados por agentes de choque.

Um jovem ouvido pela agência EFE, em declaração reproduzida pela teleSUR, questionou as prioridades orçamentárias do governo italiano. “Hoje protestamos contra o encarecimento da vida e contra um governo que destina dinheiro às armas, mas não à educação, aos bairros periféricos nem às pessoas que realmente precisam de ajuda.”

O manifestante também criticou a resposta policial: “A presença da polícia hoje nos faz entender como o governo interpreta o mal-estar da população”. Cartazes antifascistas, manifestações de apoio aos palestinos e denúncias contra as ações de Israel também integraram os atos.

Crise da moradia leva portugueses às ruas Em Portugal, milhares de pessoas voltaram a se manifestar em diferentes cidades pelo direito à moradia.

Os atos deram continuidade a protestos e acampamentos iniciados no Porto em 10 de outubro e posteriormente ampliados para Lisboa e outras localidades. Na Avenida da Liberdade, na capital portuguesa, os participantes defenderam uma greve geral ibérica em 11 de novembro, data de uma paralisação convocada na Espanha contra a crise habitacional.

Os sindicatos portugueses ainda não haviam confirmado adesão à iniciativa, mas mantinham aberta essa possibilidade. “Da Espanha a Portugal, greve geral” e “A moradia é um direito, não um luxo” estiveram entre as palavras de ordem.

Uma manifestante entrevistada pela EFE relacionou a dificuldade de acesso à habitação aos baixos salários, aos despejos e à expansão dos imóveis destinados ao turismo. “Temos uma crise de moradia muito grave, temos salários mínimos muito baixos, em Portugal é muito difícil alugar ou comprar uma casa, enquanto há cada vez mais despejos, mais alojamentos turísticos”, afirmou.

Espanha tem atos por aposentadorias, educação e habitação Na Espanha, cerca de 25 mil pessoas participaram de uma manifestação em defesa do sistema público de aposentadorias e contra sua privatização, segundo a teleSUR.

O ato foi convocado pela Coordenadora Estatal pela Defesa do Sistema Público de Pensões (Coespe). A porta-voz nacional da entidade, Francisca López, cobrou reajustes que acompanhem a inflação efetivamente enfrentada pelos aposentados.

Segundo ela, os aumentos concedidos não compensam a alta do custo de vida e dos alimentos básicos. Também em Madri, centenas de famílias se concentraram diante do órgão regional responsável pela educação para apoiar a greve por tempo indeterminado iniciada em 14 de outubro na rede pública não universitária.

Os professores reivindicam a redução das horas de aula de 19 para 17 no ensino secundário, na formação profissional e na educação especial. Na educação infantil e no ensino primário, pedem a diminuição de 25 para 22 horas.

A pauta inclui ainda reajustes salariais e menos estudantes por professor. A capital espanhola também mantém um acampamento pelo direito à moradia, iniciado no fim de setembro após o despejo de Maricarmen, de 87 anos, que morreu dias depois em um hospital.

Ao longo de quatro semanas, a mobilização passou a reunir reivindicações contra a especulação imobiliária e as dificuldades enfrentadas por inquilinos.corrido de maneira pacífica em boa parte do trajeto, foram registrados confrontos e intervenções policiais, inclusive em Porte de Vincennes.

O ministro do Interior, Laurent Núñez, informou no fim da tarde que cerca de mil pessoas haviam sido detidas em todo o território francês e afirmou que o total ainda aumentaria “de forma significativa”. Os movimentos convocaram uma nova jornada para o sábado seguinte, antes da greve geral prevista para 5 de novembro.

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