Proteína, musculação e estética: os mercados que crescem com o boom das canetas de emagrecimento segundo pesquisa

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A expansão das canetas de emagrecimento começou a movimentar negócios que não vendem medicamentos. Proteínas, suplementos, academias e tratamentos estéticos aparecem entre os destinos do dinheiro gasto por consumidores depois do início do tratamento com remédios da classe GLP-1.

Essas mudanças alcançam um mercado global de bem-estar avaliado pela McKinsey em R$ 14,8 trilhões (US$ 2,7 trilhões). Apenas nos Estados Unidos, o setor movimenta aproximadamente R$ 3,8 trilhões (US$ 700 bilhões) e cresce entre 5% e 10% ao ano.

Uma pesquisa da McKinsey, divulgada na terça-feira (3), mostra que 35% dos entrevistados que disseram usar esses medicamentos passaram a consumir mais proteínas. Outros 19% acrescentaram suplementos à rotina, enquanto 18% começaram a fazer musculação.

Os percentuais ajudam a dimensionar uma segunda onda econômica criada por medicamentos como Wegovy, Ozempic e Mounjaro. A redução do apetite e a perda de peso alteram não apenas o volume e o tipo de alimento consumido, mas também as compras feitas para preservar massa muscular, praticar exercícios e lidar com mudanças na aparência.

Para empresas de alimentos, academias, fabricantes de suplementos e clínicas de estética, os usuários de GLP-1 formam um público com novas necessidades e disposição para transferir parte dos gastos a outras categorias de saúde e bem-estar. Mais proteína e menos lanches

A McKinsey ouviu mais de 10 mil consumidores na China, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos para a edição de 2026 de seu estudo anual sobre bem-estar. As respostas do grupo que afirmou usar GLP-1 indicam uma mudança na composição das compras.

O aumento do consumo de proteína abre espaço para alimentos enriquecidos, bebidas prontas, barras, pós e refeições desenvolvidas para pessoas que comem porções menores, mas procuram atingir metas nutricionais. A consultoria afirma que algumas categorias de alimentos e bebidas estão se expandindo na esteira dos medicamentos, enquanto outras, como salgadinhos e lanches salgados, encolhem.

A mudança ajuda a explicar por que empresas de consumo passaram a reformular produtos, reduzir porções e destacar proteína, fibras e outros nutrientes nas embalagens. Entre os produtos lançados nos Estados Unidos em 2026, 33% carregavam alguma alegação relacionada a saúde ou bem-estar, ante 24% em 2021.

Ganho de massa muscular, controle de peso, prebióticos, sono e saúde cerebral estão entre os argumentos que mais aparecem nos novos produtos. Marcas de bens de consumo que crescem acima de 20% ao ano têm mais do que o dobro da probabilidade de colocar saúde e bem-estar no centro de sua proposta, segundo a consultoria.

Academias e clínicas de estética recebem novos clientes A musculação é outra beneficiária da mudança.

Os 18% de usuários de GLP-1 que disseram ter começado a treinar força representam um público potencial para academias, personal trainers, aplicativos de exercícios e produtos voltados à recuperação física. A pesquisa registra o comportamento declarado pelos consumidores, e não o faturamento obtido pelas empresas com esse grupo.

Ainda assim, as respostas mostram como o tratamento pode criar uma sequência de decisões de consumo: a pessoa começa a usar o medicamento, altera a alimentação, procura preservar músculos e passa a contratar serviços ou comprar produtos para sustentar a nova rotina. A cadeia se estende ao mercado de estética.

De acordo com prestadores de serviços consultados pela McKinsey, 63% dos pacientes que usavam GLP-1 e procuraram tratamentos faciais não eram clientes ativos desse mercado antes da perda de peso. A base desse dado é uma pesquisa anterior da McKinsey com 174 spas médicos, consultórios dermatológicos, clínicas de cirurgia plástica e outros prestadores de estética nos Estados Unidos.

Aproximadamente metade dos novos clientes nunca havia cogitado realizar um procedimento antes de emagrecer. Os demais já consideravam a possibilidade, mas ainda não haviam contratado o serviço.

Entre as principais demandas relatadas estavam flacidez, qualidade da pele e perda de volume no rosto. Os pacientes procuravam desde preenchimentos e aparelhos de energia até cirurgias faciais, criando uma nova clientela para clínicas, fabricantes de equipamentos e empresas de produtos estéticos.

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