Proporção de crianças fora da creche por falta de vagas cai pela primeira vez desde 2019

Proporção de crianças fora da creche por falta de vagas cai pela primeira vez desde 2019

Fonte: Bandeira



A proporção de crianças de 2 e 3 anos — principal grupo da creche — fora da escola caiu pela primeira vez desde 2019. Até 2024, esse patamar flutuou por volta de 39%. No ano passado, caiu para 33%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Educação de 2025, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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O principal motivo para não frequentar a creche segue sendo "opção dos pais e responsáveis". Essa foi a explicação apresentada por 57% dos pais de crianças de 2 a 3 anos. Eles só são obrigados a matricular os filhos na pré-escola, a partir dos 4 anos. No entanto, têm o direito de conseguir uma vaga em instituição pública caso desejem.

O Norte é a região com maior dificuldade de atendimento. Segundo a Pnad Educação, 44% dos pais relataram não colocar a criança na creche por falta de vaga. No Centro-Oeste, esse patamar cai para 26,7%. No Sudeste, são 27%; no Sul, 33,3%; e, no Nordeste, 37,2%.

A pesquisa também investiga os principais motivos para que adultos de 14 a 29 anos não tenham completado a educação básica — um grupo formado por 7,7 milhões de brasileiros nesta faixa etária.

Entre os homens, a principal causa para o abandono escolar é a necessidade de trabalhar (54,2%), seguido pela falta de interesse nos estudos (28%). Já entre as mulheres, também é relevante o grupo que parou por conta da gravidez (24,7% das meninas). O trabalho tirou 26,2% das jovens das salas de aulas e a falta de interesse, 21,9%.

Veja os destaques do IBGE

O país tinha 8,4 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais em 2025, o que corresponde a uma taxa de analfabetismo de 4,9%. É a primeira vez que a taxa de analfabetismo fica abaixo de 5% desde 2016.

Mais da metade dos analfabetos (4,8 milhões de pessoas) estava no Nordeste, com uma taxa de 10,6%.

A população com 60 anos ou mais era mais da metade (58%) do total de analfabetos em 2025. Eram 4,9 milhões de pessoas que não sabiam ler e escrever um bilhete simples.

Ainda na população com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo das mulheres (13,7%) passou a ser menor que a dos homens (14,1%) pela primeira vez. Já a taxa de analfabetismo de pretos ou pardos (20,6%) era quase três vezes superior à de brancos (7,3%) nesse grupo etário.

Sem considerar a população idosa, a taxa de analfabetismo caiu para 2,6% entre pessoas de 15 a 59 anos.

Pela primeira vez, mais da metade de pretos ou pardos com 25 anos ou mais (51,3%) tem o ensino médio completo.

No Norte, 35,2% dos bebês de 0 a 1 ano e 44,5% das crianças de 2 a 3 anos estavam fora da creche por falta de escola/creche na localidade, falta de vaga ou a não aceitação da matrícula por causa da idade da criança. No Nordeste, os percentuais foram 36,1% e 37,2%, respectivamente.

Proporção de crianças de 6 a 14 anos na etapa ideal (ensino fundamental) bate meta (96,1%) do Plano Nacional de Educação (PNE), mas não retorna aos níveis pré-pandemia.

Homens (77,4%) e pessoas pretas ou pardas (77,8%) de 15 a 17 anos têm menos frequência no ensino médio do que mulheres (84%) e pessoas brancas (84,9%).

Proporção de brancos de 18 a 24 anos com nível superior e que não frequenta instituição de ensino (6,2%) é mais que o dobro de pretos ou pardos (3,0%)

Maiores percentuais de abandono escolar ocorrem a partir dos 16 anos: 18,5% deixaram a escola nessa idade, 20,0% aos 17 anos e 17,6% aos 18 anos.

Um em cada quatro jovens (25,6%) de 14 a 29 anos não tem interesse em estudar.

Trabalho (26,2%) e gravidez (24,7%) são principais motivos para mulheres de 14 a 29 anos abandonarem estudos.

O Brasil tinha 46,6 milhões de jovens com 15 a 29 anos de idade em 2025, e 17,5% deles não estavam trabalhando, não estudavam no ensino regular e nem frequentavam algum curso de qualificação profissional. Essa proporção recuou 4,9 pontos percentuais (p.p.) frente a 2019, quando 22,4% dos jovens do país não trabalhavam, nem estudavam ou se qualificavam.

Frente a 2024, quando 18,2% dos jovens do país estavam naquela condição de trabalho e estudo, houve redução de 0,7 p.p.

O total de jovens que não estavam ocupados, não estudavam e nem se qualificavam caiu de 11,0 milhões em 2019 para 8,2 milhões em 2025, uma redução de 25,9%, no período. Frente a 2024, quando havia 8,6 milhões de jovens nessa condição, a queda foi de 4,8%.

Cerca de 22,8% das mulheres jovens não estavam ocupadas, nem estudando ou se qualificando, enquanto entre os homens, esse percentual foi quase a metade: 12,4%.

O percentual de jovens pretos ou pardos (19,8%) que não estudavam e não estavam ocupados nem se qualificando foi 5,8 p.p. maior que o de jovens brancos (14,0%) na mesma condição.

Em 2025, cerca de 14,2% da população com 14 anos ou mais (ou 24,8 milhões) frequentaram algum curso de qualificação profissional