Promoção de 'Melania' pela Amazon levanta questionamentos sobre motivações políticas
LOS ANGELES — O lançamento é gigantesco e custou cerca de US$ 35 milhões — uma campanha mundial de marketing que inclui outdoors, anúncios em ônibus e comerciais de televisão durante os playoffs da NFL. A estreia foi transmitida simultaneamente em 25 cinemas nos Estados Unidos, e 1.700 cinemas nacionais exibirão o filme neste fim de semana (o filme também terá amplo lançamento no Brasil, a partir desta sexta).
O mais recente filme de super-herói?
Não, essa é a campanha frenética da Amazon para “Melania”, documentário que acompanha Melania Trump, a primeira-dama dos EUA, nos dias que antecedem a segunda posse de seu marido. A própria Melania Trump produziu o filme, dirigido por Brett Ratner, diretor afastado dos cinemas desde 2017, quando foi acusado por diversas mulheres de assédio sexual. Ele negou as acusações.
A Amazon pagou US$ 40 milhões à produtora de Melania pelos direitos do filme, cerca de US$ 26 milhões a mais do que a segunda colocada na disputa, a Disney. O valor inclui uma série documental relacionada, com estreia prevista para o final deste ano. O orçamento de “Melania” é desconhecido, mas documentários que acompanham um tema por um período limitado geralmente custam menos de US$ 5 milhões para produzir. Os US$ 35 milhões destinados ao marketing representam dez vezes o valor recebido por alguns outros documentários de grande repercussão.
Tudo isso tem levado Hollywood a questionar se a investida da Amazon não seria algo além de uma tentativa da empresa de se aproximar do presidente Donald Trump.
“Este deve ser o documentário mais caro já feito sem envolver licenciamento de música”, disse Ted Hope, que trabalhou na Amazon de 2015 a 2020 e foi fundamental na criação da divisão de filmes da empresa. “Como isso não pode ser interpretado como uma tentativa de obter favores ou um suborno descarado? Como pode não ser esse o caso?”
Thom Powers, programador de documentários do Festival Internacional de Cinema de Toronto e apresentador do podcast Pure Nonfiction, considerou o acordo “surpreendente” devido ao envolvimento de Ratner e porque o pagamento da Amazon pelo filme “não tinha nenhuma relação com o mercado”.
Alguns funcionários da divisão de entretenimento da Amazon tinham preocupações semelhantes, de acordo com três fontes com conhecimento das discussões internas da empresa. Disseram-lhes que o projeto era uma exigência da liderança da empresa e que os funcionários não poderiam optar por não trabalhar no filme por motivos políticos. Andy Jassy, CEO da Amazon, e Mike Hopkins, que dirige o Amazon Studios, participaram de uma exibição privada do filme na Casa Branca no sábado.
