Projeções de inflação disparam em meio a combinação de choques e forçam Copom a manter juros altos

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou substancialmente suas projeções de inflação em todo o horizonte de atuação da política monetária. O movimento segue o que está acontecendo no mercado financeiro, que passou a revisar fortemente para cima suas estimativas para o IPCA, o índice de preços oficial do país que baliza o regime de metas.

A alta mais significativa ocorreu na projeção para 2027, que passou de 3,9% para 4,7%, colocando a inflação novamente para o limite superior da meta, ainda que o sistema hoje não seja mais de ano calendário. A autoridade monetária agora está decidindo sua política mirando o IPCA acumulado em 12 meses até o segundo trimestre de 2028, que está projetado em 3,5%.

Não há comparação com o documento anterior porque na última decisão o horizonte relevante era o primeiro trimestre de 2028, quando o índice previsto era de 3,2%. A meta contínua de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual.

O Banco Central não detalha os motivos para a forte escalada nas suas projeções, mas ela ocorre em um ambiente no qual há uma combinação de choques sobre a economia brasileira, como a alta do petróleo (que hoje teve um recuo, embora ainda esteja em patamar elevado), o El Niño e a desvalorização cambial após as eleições.

Além disso, especialistas enxergam outros riscos inflacionários no horizonte de curto prazo, como a entrada em vigor da CBS (reforma tributária) com alíquota de 11,3% (definida pelo TCU e que ainda pode ser alterada) e o fim da escala 6x1 no fim deste ano. O comunicado que anunciou a manutenção da taxa básica de juros em 13,75% ao ano reconhece que o cenário ficou mais complexo porque, enquanto a inflação e as expectativas estão acelerando, "o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião aponta para uma moderação mais acentuada da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos".

Segundo o time liderado por Gabriel Galípolo, em um contexto de Selic "substancialmente contracionista" e aumento das incertezas, o cenário para a política monetária é "desafiador" e demanda "serenidade e cautela na sua condução". A forte alta nas projeções de inflação também é uma má notícia para o governo Lula.

Não só porque travou a continuidade do processo de queda dos juros, mas porque, se ela de fato se materializar, tende a gerar desconforto na população e prejudicar a popularidade presidencial, em um ambiente político conflagrado.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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