247 – A rede varejista C&A iniciou recentemente a aplicação de um modelo experimental de jornada de trabalho em regime de cinco dias de labor por dois de descanso em 60 de suas unidades espalhadas pelo país, conforme divulgado pela Exame. A iniciativa ocorre a pouco mais de um mês da entrada em vigor da emenda constitucional que determina o fim oficial da escala de seis dias de trabalho por um de folga em território nacional, agendado para o próximo dia 16 de dezembro.
O projeto piloto implementado pela companhia tem apresentado resultados preliminares animadores no que tange ao comportamento dos colaboradores, registrando uma retração perceptível nos índices de absenteísmo, que correspondem às faltas não justificadas ou licenças imprevistas no cotidiano corporativo.
Contudo, a transição para o novo formato também impôs um obstáculo logístico considerável para a manutenção do atendimento ao público, sobretudo aos domingos, data em que a circulação de potenciais consumidores atinge picos expressivos nos centros de compras e shopping centers. A alteração na dinâmica operacional das unidades comerciais busca antecipar os reflexos das novas diretrizes legais trabalhistas, que reduzem a jornada semanal de 48 para 40 horas sem que haja qualquer tipo de decréscimo na remuneração paga aos empregados.
Segundo o executivo máximo da empresa, o presidente da rede, o avanço na redução das faltas representa um alívio importante, mas a gestão precisa encontrar mecanismos rigorosos para evitar desequilíbrios financeiros e operacionais. A preocupação central da diretoria reside no fato de que, caso a produtividade das equipes permaneça estagnada, a diminuição de 10% na carga horária total disponível gerará um encarecimento proporcional e direto nos custos com folha de pagamento e pessoal.
Para mitigar esse efeito, a corporação tem investido na modernização de seus processos internos e na reestruturação do fluxo diário de tarefas. Executivo aponta queda nas faltas e desafio financeiro
O dirigente máximo da rede varejista destacou que os testes conduzidos nas 60 lojas selecionadas trouxeram dados favoráveis quanto à assiduidade dos trabalhadores, embora tenha optado por não abrir os valores monetários exatos ou o impacto financeiro integral decorrente da reformulação.
A estratégia adotada pela administração envolve duas frentes fundamentais e complementares: conter as ausências no ambiente de labor e alavancar a eficiência operacional das equipes por meio de planejamento estratégico. A companhia introduziu uma ferramenta tecnológica voltada ao gerenciamento e à simulação do tempo dedicado a cada atividade, permitindo uma distribuição mais racional e equânime dos profissionais ao longo dos turnos de atendimento.
De acordo com o dirigente, a ausência de ganhos em produtividade atrelada à redução da jornada de 48 para quarenta horas — considerando eventuais variações de cálculo interno — resultaria em um encarecimento automático da estrutura de pessoal, cenário que exige respostas rápidas e coordenadas da gestão.
Em declaração concedida à imprensa após a divulgação do balanço financeiro referente ao terceiro trimestre do ano corrente, o principal executivo da empresa detalhou as premissas que norteiam o projeto piloto. “Estamos testando em sessenta lojas e já vimos o absenteísmo cair”, afirmou o dirigente à publicação especializada, ressaltando o ganho inicial de engajamento proporcionado pelo modelo de dois dias consecutivos ou alternados de descanso.
Por outro lado, o gestor enfatizou que o modelo exige um esforço redobrado de planejamento para que a empresa não seja penalizada pela menor disponibilidade de pessoal nos momentos de pico. A preocupação com a sustentabilidade econômica do negócio é compartilhada pelos acionistas, que acompanham de perto as adaptações necessárias para absorver o novo marco regulatório sem perda de margens de lucro ou deterioração do serviço prestado ao consumidor final nas lojas físicas.
Movimento intenso nos domingos exige reorganização de equipes Um dos nós górdios identificados durante os testes do regime de cinco dias de trabalho reside na gestão do atendimento aos domingos, dia que adquiriu relevância estratégica para o setor supermercadista e de vestuário em virtude do aumento expressivo da frequência de frequentadores nos complexos comerciais.
A consolidação dos shopping centers como espaços multifuncionais de lazer, gastronomia e convivência familiar transformou o último dia da semana em um período de alto rendimento para as vendas presenciais. Com a nova configuração de folgas, que estipula dois dias de descanso semanal com preferência para que ao menos uma das folgas ocorra justamente no domingo, a escala de trabalho passa a sofrer restrições severas.
A diminuição do contingente disponível nas lojas durante o dia de maior tráfego de clientes cria um descompasso operacional delicado, forçando a administração a buscar alternativas para não comprometer a qualidade do atendimento e evitar perdas financeiras relevantes. A complexidade logística decorre da necessidade de conciliar o direito ao repouso semanal remunerado com a exigência de manter as portas abertas e as prateleiras guarnecidas em um momento em que a demanda atinge patamares elevados.
“Por conta da escala 5×2, o domingo é onde é mais impactado. Vem cada vez mais fluxo e você tem um número de pessoas menor, então tem que melhorar a produtividade.
Não tem jeito. Senão, você tem um impacto muito grande, não só de custos, mas de perda de venda”, ponderou o líder da companhia durante a entrevista.
A situação ganha contornos de urgência redobrada devido à proximidade do mês de dezembro, período tradicionalmente marcado por um salto considerável nas vendas do varejo de vestuário em função das festividades natalinas. A necessidade de manter equipes robustas para absorver o fluxo sazonal de clientes sem infringir os limites da nova legislação trabalhista colocou a eficiência no centro das prioridades operacionais da rede varejista para o final do ano em curso.
Aposta em autoatendimento e tecnologia para elevar eficiência Para contornar a escassez de colaboradores em postos tradicionais de atendimento e otimizar o tempo das equipes remanescentes, a rede varejista tem intensificado a implementação de soluções tecnológicas nas unidades em teste.
Entre os recursos de destaque encontram-se os caixas de autoatendimento, conhecidos no mercado como self-checkouts, que transferem para o próprio consumidor a responsabilidade de bipar, registrar e quitar o valor de suas mercadorias por meio de terminais eletrônicos automatizados.
Essa tecnologia reduz drasticamente a dependência de atendentes humanos em uma das etapas mais críticas e engarrafadas da experiência de compra dentro de uma loja de departamentos. A desoneração dos funcionários de caixa permite que eles sejam realocados para outras atividades de suporte ao cliente, organização de salão de vendas ou reposição de mercadorias, elevando o rendimento geral da operação de forma integrada.
O uso estratégico de ferramentas de automação e de planejamento digital de horas tem sido apresentado pela liderança como o caminho viável para neutralizar os efeitos colaterais da redução da jornada semanal. Ao permitir que o próprio cliente finalize o processo de pagamento de maneira autônoma, a empresa consegue manter o ritmo de atendimento mesmo com quadros de funcionários reduzidos nos dias de maior movimento.
“Isso acaba também aumentando a produtividade, porque o próprio consumidor vai lá e se resolve. Não precisa depender de alguém atendendo para passar a compra dele no caixa”, explicou o dirigente máximo da corporação.
A condução desses testes em sessenta unidades comerciais serve como laboratório para avaliar a aceitação das novas tecnologias tanto pelo público quanto pelos trabalhadores, fornecendo dados vitais para calibrar o modelo operacional antes que o novo marco legal do fim da escala de seis por um passe a valer em todo o território nacional a partir do próximo mês de dezembro.
Brasil 247