A proibição das apostas de quota fixa, decretada através de uma Medida Provisória no dia 25 de setembro, provoca um desmonte imediato na infraestrutura de combate à manipulação de resultados esportivos no Brasil. O alerta consta em relatório técnico da International Betting Integrity Association (IBIA), obtido pelo blog. A entidade global sem fins lucrativos é mantida por mais de 90 operadoras licenciadas e responsável pelo monitoramento de mais de 1,5 milhão de eventos esportivos por ano. De acordo com documento da organização, a extinção das autorizações federais e a interrupção do modelo criado desfazem os instrumentos de fiscalização até então coordenados pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF). A mudança geraria um "apagão de dados" justamente no momento em que o ecossistema brasileiro de integridade atingia seu maior nível de precisão diagnóstica. O relatório da IBIA pontua ainda que a proibição legal não extingue a demanda dos apostadores. Com base em projeções da consultoria especializada H2 Gambling Capital, a entidade estima que cerca de R$ 25 bilhões em volume de apostas migrarão para plataformas ilícitas e sem licença. Aumento de alertas em 2025 A IBIA destaca no relatório que a elevação no número de alertas de apostas suspeitas registrada em 2025 não indicava expansão da corrupção em campo, mas sim a eficiência dos novos mecanismos de detecção exigidos das empresas licenciadas. O histórico compilado pela IBIA demonstra o ganho de visibilidade proporcionado pela regulação. Durante o período sem regras federais, entre 2021 e 2024, o Brasil registrou uma média de 11 alertas por ano (11 em 2021, 14 em 2022, 11 em 2023 e apenas 7 em 2024).
Já no primeiro ano de operação licenciada - com verificação obrigatória de identidade via reconhecimento facial (KYC), obrigatoriedade de comunicação de suspeitas à SPA/MF e integração com órgãos internacionais de monitoramento -, o volume de alertas saltou para 25, segundo ilustra o material da entidade. No acumulado entre 2021 e 2025, o futebol concentrou 51 dos 68 alertas reportados no país. O restante distribuiu-se entre basquete (6), tênis (6), futsal (1), sinuca (1), tênis de mesa (1), vôlei (1) e vôlei de praia (1).
O Globo