A Food and Drug Administration (FDA) começou a permitir que determinados softwares médicos sejam usados por pacientes antes de passar pelo processo tradicional de autorização prévia, dentro de um programa experimental voltado a tecnologias digitais para o tratamento e acompanhamento de doenças crônicas. O piloto, chamado TEMPO, já selecionou quatro participantes, com sistemas voltados a saúde mental, controle da hipertensão e acompanhamento metabólico. A FDA afirma que a iniciativa permitirá coletar dados de uso no mundo real enquanto essas tecnologias são avaliadas. Dentro do programa, a agência pode decidir não aplicar temporariamente determinadas exigências regulatórias, como a autorização prévia à comercialização e requisitos associados a dispositivos ainda em investigação. A exceção vale apenas para usos definidos no piloto e vinculados ao modelo ACCESS, iniciativa do Medicare para cuidados de doenças crônicas. A FDA ressalta que a eficácia dos produtos selecionados para esses usos ainda não foi determinada. As empresas deverão acompanhar e reportar dados obtidos enquanto os sistemas forem utilizados pelos pacientes. O novo modelo foi detalhado em reportagem da STAT, que destacou o programa como um teste para a forma como a agência pode regular tecnologias que evoluem em ritmo mais rápido do que os ciclos regulatórios convencionais. De terapia por voz a ajuste de remédios para hipertensão Os quatro produtos selecionados seguem abordagens diferentes. Um deles é o Unpacked, da Limbic, destinado a pacientes do Medicare com depressão ou ansiedade. O sistema oferece programas estruturados de terapia cognitivo-comportamental por meio de um agente de IA por voz, com supervisão clínica e mecanismos de alerta de segurança. O HypertensionOS, da Cadence, auxilia profissionais de saúde no início e no ajuste de medicamentos para pacientes com hipertensão estágio 2, dentro de protocolos predefinidos e com verificações determinísticas de segurança. A própria Cadence descreve o produto como um sistema com funcionalidades apoiadas por IA para auxiliar decisões clínicas. A Dexcom participa com um programa que combina dados de sensores de glicose com informações sobre alimentação, atividade física, sono e estresse para oferecer orientações personalizadas. O quarto participante é a SonderMind, com um aplicativo complementar destinado a adultos em tratamento de depressão moderada ou ansiedade. Regulação acontece durante o uso Lançado pela FDA em dezembro de 2025, o TEMPO foi desenhado para testar uma forma de supervisão adaptada ao desenvolvimento rápido e iterativo de dispositivos digitais. Para participar, os fabricantes precisam fornecer informações sobre riscos, benefícios esperados, monitoramento e coleta de dados. O programa está ligado ao ACCESS, modelo do Centers for Medicare & Medicaid Services voltado ao tratamento de condições cardiometabólicas, musculoesqueléticas e de saúde comportamental. A FDA prevê selecionar até cerca de dez fabricantes americanos em cada uma das quatro áreas clínicas contempladas. A agência também tenta estabelecer regras mais amplas para dispositivos médicos com IA generativa. Em agosto, a FDA abriu uma consulta pública sobre avaliação de risco, exigências antes da entrada no mercado e acompanhamento posterior dessas tecnologias. A participação no TEMPO não equivale a aprovação ou autorização definitiva da FDA. Os produtos continuam em avaliação enquanto as empresas acumulam evidências sobre seu desempenho no uso real. Mais Lidas
Notícias
Programa experimental dos EUA testa uso de softwares médicos com IA antes da aprovação tradicional
Fonte da notícia:
Epoca Negócios
Epoca Negócios
Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?
Acessar matéria no site Epoca Negócios