Estagnado na aprendizagem há dez anos e com mais da metade dos alunos abaixo do nível básico de aprendizagem, o Brasil apareceu positivamente em pelo menos três aspectos analisados no questionário do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025, divulgado nesta terça-feira. Nessa lista, estão a avaliação que os alunos brasileiros fazem de seus professores na comparação com outros países do mundo, a evolução de escolas sem celulares e uma reduação significativa na proporção de jovens que não enxergam sentido na educação.
Subiu para quase 4 mil: Número de alunos que acertam cerca de 90% das questões no Enem salta em três anos Esquerda x direita: Reserva de vagas e escolas cívico-militares dividem candidatos à Presidência na educação Professores Avaliando os professores de Ciências (campo do conhecimento que era o foco desta edição do Pisa), a maior parte dos alunos brasileiros relatou que (82%) o professor demonstra interesse na aprendizagem de cada um na maioria das aulas; que (78%) continua ensinando até que o estudante entenda; e que (76%) oferece ajuda extra quando os jovens precisam. Esses patamares são maiores do que os registrados entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que foram de 69%, 66% e 73%, respectivamente.
Celulares na escola A proporção de escolas que proibiam celular em 2025 cresceu 44 pontos percentuais entre 2022 e 2025 no Brasil, passando de 37% para 81% nesse período. Isso faz com que o país seja um dos poucos no mundo que passaram da marca de 80% de colégios sem smartphones. A média da OCDE também teve avanço nesse sentido, mas em velocidade bem mais tímida do que no caso brasileiro. Ela passou de 34% para 49%.
Essa evolução no Brasil se deu por conta de uma lei sancionada em janeiro de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que proíbe a utilização de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais, inclusive telefones celulares, nas escolas, para proteger a “saúde mental, física e psíquica das crianças e adolescentes”. O objetivo central da norma é afastar as crianças do uso inadvertido de redes sociais e da competição pela atenção delas com essas plataformas. Confiança na escola O Brasil registrou uma queda de quase sete pontos percentuais na proporção de jovens de 15 anos que acreditam que a escola é uma perda de tempo. Em 2025, essa proporção é de 16%. Esse patamar é de 24% na OCDE.
De acordo com o relatório da OCDE, essa queda se deu em 40 países e econômias avaliadas. No entanto, em alguns lugares, como Áustria, Chéquia, Macau (China) e Polônia, essa descrença na escola cresceu mais de cinco pontos percentuais.
Mundo tem queda de aprendizado A principal avaliação de educação no mundo aponta que a aprendizagem no Brasil vive um cenário de estabilidade desde 2015 num patamar baixo de desempenho. Numericamente, a nota do país no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025, divulgada nesta terça-feira, cresceu seis pontos em Ciências (de 403 para 409) e caiu dois em Leitura (de 410 para 408) e Matemática (de 379 para 377) na comparação entre 2022 e 2025, as duas últimas edições realizadas.
Enquanto isso, a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um fórum de países ricos, tem vivido nos dois últimos ciclos uma diminuição histórica de aprendizagem registrada. O grupo de 23 nações que participam da prova desde a criação do Pisa, em 2000, atingiu o menor patamar de ensino nas três competências analisadas. Ainda assim, a diferença do Brasil para a média da OCDE é de 92 pontos no caso da Matemática (377 contra 469). Em Leitura, é de 58 (408 contra 466). Há quase 20 anos, essas distâncias já foram maiores (de 102 e 131 pontos, respectivamente). No entanto, a desigualdade diminuiu mais por conta da queda das nações ricas do que pela evolução brasileira. Conheça o Pisa Realizada a cada três anos pela OCDE, a prova do Pisa é aplicada para mais de 760 mil estudantes no mundo. Essa amostra representa cerca de 33 milhões de jovens entre 15 anos e 3 meses e 16 anos e 2 meses no momento da avaliação nas escolas dos 91 países e economias participantes. Além da idade, os estudantes precisam ter completado pelo menos seis anos de escolaridade formal.
No Brasil, 30.140 estudantes fizeram o teste. Eles estão distribuídos em 1.053 escolas, representando 2,1 milhões de jovens de 15 anos. De acordo com a OCDE, isso representa cerca de 76% da população total de adolescentes nessa faixa etária do país.
Os estudantes fizeram dois testes de uma hora de duração. A prova misturava perguntas de múltipla escolha e dissertativas. Eles também responderam a um questionário contextual, que levou cerca de 35 minutos para ser concluído. Ele buscava informações sobre os próprios estudantes, atitudes, disposições, crenças, seu lar, suas experiências escolares e de aprendizado.
O Globo