Produtora de shows estuda trazer Kanye West ao Brasil em evento com transmissão da Copa do Mundo
A produtora que tentou trazer Kanye West ao Brasil em 2025 estuda organizar um evento com transmissão do primeiro jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, seguido por um show de encerramento do cantor.
Produtora de shows estuda trazer Kanye West ao Brasil em evento com transmissão da Copa do Mundo
Reprodução / Instagram
Em 2025, o show do rapper Kanye West (Ye), estava previsto para ocorrer em 29 de novembro em São Paulo, mas o evento foi cancelado. De acordo com a produtora, mesmo com o pagamento do cachê, das taxas do Autódromo de Interlagos e de outros custos envolvidos, a autorização para uso do espaço foi posteriormente revogada de forma unilateral pela administração pública.
A empresa afirma que entraves políticos impediram o show em São Paulo. Após o anúncio, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que não permitiria apresentações de artistas que façam apologia ao nazismo em espaços públicos da prefeitura.
Barrado no Reino Unido
Kanye West foi barrado de um festival no Reino Unido após organizadores, em conjunto com autoridades locais, decidirem cancelar sua participação. A decisão ocorre em meio a uma série de controvérsias envolvendo declarações do artista, amplamente criticadas por seu teor ofensivo e antissemita.
Em nota, a organização do evento informou que tomou medida por conta de questões de segurança, além da necessidade de manter o alinhamento com os valores defendidos pelo festival. Segundo os responsáveis, a presença do rapper poderia gerar riscos operacionais e reações negativas do público.
Em carta, Kanye West pede desculpas por declarações antissemitas: 'Não sou nazista. Amo o povo judeu'
Em janeiro desta ano, o cantor e produtor Kanye West publicou uma carta no Wall Street Journal pedindo desculpas pelas por fazer apologia ao nazismo. Segundo a revista Vanity Fair, o anúncio foi pago pela marca dele, Yeezy.
"Lamento e estou profundamente envergonhado pelas minhas ações nesse estado, e estou comprometido com a responsabilização, o tratamento e mudanças significativas. Isso, porém, não justifica o que fiz. Eu não sou nazista nem antissemita. Eu amo o povo judeu".
No texto publicado, Kanye relembra que possui diagnóstico de transtorno bipolar tipo 1 e afirma que os episódios envolvendo apologia ao nazismo ocorreram durante fases de mania. Ele ainda diz que entrou em um estado "fragmentado", que o fez "gravitar rumo ao símbolo mais destrutivo que ele poderia encontrar: a suástica".
No início de maio do ano passado, Ye, lançou a canção 'Heil Hitler', menção à saudação nazista. A música foi banida de plataformas como o YouTube. Apesar disso, o videoclipe publicado em sua conta no X ultrapassou quase 10 milhões de visualizações.
A canção se encerra com um discurso do ditador nazista, líder do regime responsável pelo assassinato de cerca de seis milhões de judeus na Europa entre 1933 e 1945.
No ano passado, o músico estava com apresentação marcada em São Paulo, mas o show foi cancelado após críticas do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e a abertura de um inquérito pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). À época, o prefeito afirmou que a capital não permitiria o uso de equipamentos públicos por artistas que promovam ou façam apologia ao nazismo.
Em 2025, ele também começou a vender produtos com imagens de suásticas.
Além disso, está programado para está sexta-feira (30), lançamento do novo álbum de estúdio do cantor.
Confira a carta na íntegra:
“Para Aqueles Que Feri:
Há 25 anos, sofri acidente de carro que quebrou minha mandíbula e causou lesão no lobo frontal direito do meu cérebro. Na época, o foco estava no dano visível — a fratura, o inchaço e o trauma físico imediato. A lesão mais profunda, aquela dentro do meu crânio, passou despercebida.
Exames abrangentes não foram feitos, exames neurológicos foram limitados, e a possibilidade de lesão no lobo frontal nunca foi levantada. Não foi diagnosticado adequadamente até 2023. Essa negligência médica causou danos sérios à minha saúde mental e levou ao meu diagnóstico de bipolar tipo um.
Transtorno bipolar vem com seu próprio sistema de defesa. Negação. Quando você está em mania, não acha que está doente. Acha que todo mundo está exagerando. Sente que está vendo o mundo mais claramente do que nunca, quando na realidade está perdendo completamente o controle.
Uma vez que as pessoas te rotulam como “louco”, você sente que não pode contribuir com nada significativo para o mundo. É fácil para as pessoas fazerem piadas e rirem quando na verdade esta é uma doença debilitante muito séria da qual você pode morrer. De acordo com a Organização Mundial da Saúde e a Universidade de Cambridge, pessoas com transtorno bipolar têm expectativa de vida reduzida em 10 a 15 anos em média, e uma taxa de mortalidade por todas as causas duas a três vezes maior que a população geral. Isso está no mesmo nível de doença cardíaca grave, diabetes tipo um, HIV e câncer — todos letais e fatais se não tratados.
A coisa mais assustadora sobre esse transtorno é quão persuasivo ele é quando te diz: você não precisa de ajuda. Te deixa cego, mas convencido de que tem percepção. Você se sente poderoso, certo, imparável.
Perdi o contato com a realidade. As coisas pioraram quanto mais ignorei o problema. Disse e fiz coisas que me arrependo profundamente. Algumas das pessoas que mais amo, tratei da pior forma. Vocês suportaram medo, confusão, humilhação e o esgotamento de tentar ajudar alguém que, às vezes, estava irreconhecível. Olhando para trás, me tornei desconectado do meu verdadeiro eu.
Naquele estado fraturado, gravitei em direção ao símbolo mais destrutivo que pude encontrar, a suástica, e até vendi camisetas com ela. Um dos aspectos difíceis de ter bipolar tipo um são os momentos desconectados — muitos dos quais ainda não consigo lembrar — que levaram a julgamento pobre e comportamento imprudente que muitas vezes parece uma experiência fora do corpo. Lamento e estou profundamente mortificado por minhas ações naquele estado, e estou comprometido com responsabilidade, tratamento e mudança significativa. Isso não desculpa o que fiz. Não sou nazista ou antissemita. Amo o povo judeu.
À comunidade negra — que me apoiou em todos os altos e baixos e nos momentos mais sombrios. A comunidade negra é, inquestionavelmente, a base de quem sou. Sinto muito por ter decepcionado vocês. Amo a gente.
No início de 2025, caí em episódio maníaco de quatro meses de comportamento psicótico, paranoico e impulsivo que destruiu minha vida. À medida que a situação se tornava cada vez mais insustentável, houve momentos em que não queria mais estar aqui.
Ter transtorno bipolar é estado notável de doença mental constante. Quando você entra em episódio maníaco, está doente naquele momento. Quando não está em episódio, você é completamente “normal”. E é quando os destroços da doença atingem com mais força. Chegando ao fundo do poço há alguns meses, minha esposa me encorajou a finalmente buscar ajuda.
Encontrei conforto em fóruns do Reddit de todos os lugares. Pessoas diferentes falam sobre estar em episódios maníacos ou depressivos de natureza similar. Li suas histórias e percebi que não estava sozinho. Não sou apenas eu quem arruína a vida inteira uma vez por ano apesar de tomar remédios todos os dias e ser informado pelos supostamente melhores médicos do mundo que não sou bipolar, mas apenas experimento “sintomas de autismo”.
Minhas palavras como líder na minha comunidade têm impacto global e influência. Na minha mania, perdi completamente a noção disso.
À medida que encontro minha nova linha de base e novo centro através de regime eficaz de medicação, terapia, exercício e vida limpa, tenho clareza renovada e muito necessária. Estou canalizando minha energia em arte positiva e significativa: música, roupas, design e outras novas ideias para ajudar o mundo.
Não estou pedindo simpatia ou passe livre, embora aspire ganhar seu perdão. Escrevo hoje simplesmente para pedir sua paciência e compreensão enquanto encontro meu caminho de casa.
Com amor,
Ye”
