'Cessar-fogo no Líbano nunca foi prometido pelos EUA', diz vice-presidente norte-americano
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, disse, nesta quarta-feira (8) que incluir o Líbano no cessar-fogo nunca foi prometido pelo país liderado por Donald Trump. Segundo ele, isso não foi oferecido para os iranianos, no entanto, ele acredita que eles possam ter tido essa impressão.
Ele também classificou como 'tolice' a discussão sobre um cessar-fogo no Líbano, tema pelo qual o Irã vem pressionando após sucessivos ataques aéreos israelenses contra Beirute.
'Se os iranianos querem que as negociações sobre o Líbano fracassem, é uma escolha deles (...) isso seria uma tolice.'
A declaração acontece em um momento de escalada acelerada das tensões na região. Em menos de um dia após o anúncio da trégua, Teerã acusou Israel de violar o acordo com novos ataques em território libanês e retomou restrições à circulação de petroleiros no estreito de Ormuz.
No Líbano, autoridades reportaram que operações israelenses contra o Hezbollah deixaram pelo menos 254 mortos e mais de 830 feridos. Já o governo iraniano afirmou que também foi alvo de bombardeios, inclusive em duas ilhas sob seu controle.
Fumaça em Beirute, no Líbano, após ataque de Israel.
AFP
Guarda do Irã diz que reagirá contra Israel caso país mantenha ofensiva no Líbano
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que vai reagir contra Israel caso o país não cesse os ataques ao Líbano. Um dia após o acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e Irã, dezenas de foram mortas em atentados causados por ataques aéreos israelenses.
“Emitimos um firme aviso aos Estados Unidos, que violam tratados, e ao seu aliado sionista, seu executor: se a agressão contra o amado Líbano não cessar imediatamente, cumpriremos nosso dever e daremos uma resposta”, diz a Guarda Revolucionária em um comunicado transmitido pela TV estatal.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que acatará o cessar-fogo em relação ao Irã, mas manterá a ofensiva contra o Líbano.
Benjamin Netanyahu posta vídeo dizendo que mesmo após cessar-fogo 'dedo está no gatilho' contra Irã
Reprodução
Mais cedo, O Irã informou aos mediadores regionais que sua participação nas negociações com os Estados Unidos, agendadas para sexta-feira em Islamabad, está condicionada à suspensão dos ataques aéreos israelenses no Líbano.
Fontes ligadas aos governos disseram ao jornal Wall Street Journal que Teerã especificou que a continuidade dos ataques contra o Líbano também poderia forçar a reconsiderar sua decisão de permitir a reabertura do Estreito de Ormuz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta quarta-feira (8), após reclamações dos ataques israelenses no Líbano contra o Hezbollah, que o país não faz parte do acordo de cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e o Irã.
A fala foi feita em entrevista à rede de TV PBS:
'Por causa do Hezbollah, nós não incluímos o Líbano no cessar-fogo, e o Irã sabe'.
A informação também foi confirmada ao site Axios pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Uma autoridade de segurança iraniana afirmou a agência de notícias do país Fars que o Irã está se preparando para realizar operações contra posições militares em Israel depois da 'violação do cessar-fogo por Israel no Líbano e contra o Hezbollah'.
Benjamin Netanyahu diz que mesmo após cessar-fogo, 'dedo está no gatilho' contra Irã
Em vídeo postado após firmamento do acordo de cessar-fogo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu afirmou que Israel ainda 'tem mais objetivos a cumprir'. Ele acrescentou ainda que o 'dedo está no gatilho' contra o Irã.
'Israel está pronto para voltar a lutar a qualquer momento'. (...)'Nós os alcançaremos'. promete ele, 'seja por meio de acordo, seja por meio de lutas renovadas' (...) 'O dedo está no gatilho'
Netanyahu diz que EUA não o surpreenderam com cessar-fogo
Netanyahu também afirmou que o cessar-fogo entre os EUA e o Irã foi feito 'em plena coordenação com Israel'.
“Eles não nos surpreenderam no último minuto”, diz ele.
Ele destaca ainda que cessar-fogo 'não é o fim da campanha', mas mais uma etapa na conquista de todos os objetivos da campanha.'
O Irã está entrando em negociações com os EUA em um momento de maior fragilidade, afirma ele, e alega que Teerã está abrindo o Estreito de Ormuz após desistir de todas as suas exigências, o levantamento das sanções, reparações, o fim definitivo da guerra e um cessar-fogo no Líbano.
Além disso, ele comemorou as conquistas contra o Irã.
Alcançamos 'conquistas enormes' na guerra, 'Israel está mais forte do que nunca'
Benjamin Netanyahu também agradeceu à população israelense por sua resiliência.
“Juntos, conquistamos feitos extraordinários”, diz ele, “nossos combatentes na linha de frente e vocês na retaguarda”.
Ele afirma que a “conclusão fundamental” da campanha é que “Israel está mais forte do que nunca, e o Irã está mais fraco do que nunca”.
Edifício no centro de Beirute, no Líbano, cai após ser atingido por míssel
Fadel Itani/AFP
