Produtiva e rentável: veja como cultivar ameixa

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Fonte da notícia: Globo Rural Globo Rural

Muito popular entre os consumidores brasileiros, a ameixa pode ser uma excelente alternativa para agricultores que desejam diversificar a atividade agrícola sem que precisem de grandes áreas na propriedade para um novo plantio. Bastante produtiva, a ameixeira é também um cultivo capaz de gerar alta rentabilidade. A planta chega a produzir, em média, cerca de 45 quilos de frutos, que são aromáticos e têm polpa firme, doce e saborosa. Além de abastecer o varejo alimentício para o consumo como fruta fresca, a ameixa também é ingrediente em receitas de geleias, licores, destilados e recheios para tortas e bolos, o que amplia as possibilidades de comercialização para a indústria de alimentos e bebidas. Como a ameixa tem propriedades medicinais, há quem a utilize como laxante, diurético e no combate a fraqueza, cansaço mental e problemas do aparelho digestivo. A ameixeira que se cultiva no Brasil é uma árvore de porte médio, que pode alcançar até 5 metros de altura. Em plantios comerciais, no entanto, os produtores a mantêm na faixa entre 2,5 e 3,5 metros, por meio de tratos culturais. Com ramos longos e abertos, ela chama atenção na época da florada, quando a copa se cobre de muitas flores brancas. Cada gema tem capacidade para produzir três flores, atingindo, em alguns casos, quatro ou cinco botões florais. Com a introdução de variedades de diversos países, a pesquisa com ameixeira no Brasil começou em 1938, na Estação Experimental de Pelotas (RS) – que é a atual Embrapa Clima Temperado, uma das unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O cultivo comercial da fruteira, contudo, só ganhou impulso em território nacional a partir dos anos de 1960, após o desenvolvimento, por meio de programas de melhoramento genético, como o do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), de cultivares que exigem menos frio. Esses trabalhos deram origem às primeiras versões adaptadas a regiões com temperaturas mais amenas.

Nas décadas de 1970 e 1980, a Embrapa desenvolveu novas variedades para locais com níveis moderados de frio – cerca de 300 horas com termômetros abaixo de 7,2ºC. Desde então, ocorreram lançamentos de outras cultivares, entre elas as de instituições de pesquisa como o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), o que ampliou as opções disponíveis aos produtores e permitiu a expansão da cultura no país. Hoje, Rio Grande do Sul e Santa Catarina concentram o cultivo de ameixeiras, mas há pomares avançando no Paraná, São Paulo e Minas Gerais, um movimento que ratifica o potencial da atividade para a agricultura familiar. Início Dê preferência a mudas enxertadas, que não demoram para começar a produzir, e faça a compra em viveiros idôneos, que garantam a oferta de plantas sadias e bem formadas. As mais recomendadas têm de 70 a 100 centímetros de altura e diâmetro na faixa entre 15 e 20 milímetros. As variedades mais cultivadas no país, que não precisam de tanto frio para se desenvolver, são de origem chinesa, embora sejam conhecidas como ameixa-japonesa (Prunus salicina), que pertence à família Rosaceae. A variedade europeia (Prunus domestica), a mais antiga – há relatos de mais de 2.000 anos sobre sua existência – exige baixas temperaturas para frutificar. Ambiente O clima temperado ou subtropical é o ideal para o desenvolvimento da ameixeira. Em áreas mais quentes, o cultivo deve ocorrer em locais mais altos, onde as temperaturas são mais amenas. O plantio pode acontecer durante o inverno, entre os meses de junho e julho. Escolha terrenos próximos a uma fonte de água, já que as mudas necessitam de irrigação, principalmente nos primeiros meses de desenvolvimento. Plantio Um solo profundo, permeável e bem drenado permite às raízes alcançar até 1 metro de profundidade. A extensão contribui para a formação de árvores mais vigorosas, produtivas e longevas. Antes do plantio, recomenda-se corrigir a acidez do terreno por meio da calagem, elevando o pH para cerca de 6. A aplicação de calcário deve ocorrer aproximadamente três meses antes da instalação do pomar. Covas Precisam ter, no mínimo, 40 centímetros de comprimento, largura e profundidade. A cerca de 30 dias do início do plantio, elas devem receber aproximadamente 20 quilos de esterco de curral ou 2 quilos de esterco de aves, além de calcário, a fim de corrigir a acidez (para que se consiga um pH de 6), e superfosfato simples. Cuidados Para que a ameixeira tenha boa produtividade, os cuidados são fundamentais. Depois que as mudas brotarem, aplique adubação nitrogenada a cada dois meses no primeiro ano do plantio, em especial na primavera e no verão. A irrigação é indispensável na fase inicial de crescimento das mudas; as podas, por sua vez, merecem atenção durante toda a vida útil da fruteira. Na Prunus salicina, o desponte dos ramos ajuda a evitar o excesso de frutos nos galhos, estimula o crescimento vegetativo e melhora o equilíbrio da planta. Indicase, além disso, o cultivo de leguminosas ou cereais de inverno entre as linhas do pomar durante o repouso hibernal. Isso protege o solo, e a cobertura verde pode representar uma fonte adicional de renda ao produtor. Produção Começa cerca de dois anos após o plantio das mudas, mas é entre o sexto e o oitavo ano que a produtividade chega ao auge. A colheita vai de outubro a fevereiro, a depender da variedade que se escolhe para o cultivo. Mais Informações Solo: bem drenado, profundo e com acidez equilibrada (pH 6); Clima: com temperaturas amenas, na faixa entre 10ºC e 20ºC, durante boa parte do ano; Área Mínima: é possível fazer o plantio em canteiros; Colheita: começa em outubro e termina em fevereiro, a depender da variedade; Custo: o preço de cada muda enxertada fica entre R$ 10 e R$ 20. Consultoria: Rodrigo Cezar Franzon é pesquisador de recursos genéticos e melhoramento/fruticultura da Embrapa Clima Temperado, Rodovia Br-392, Km 78, 9º Distrito, Monte Bonito, Caixa Postal 403, CEP 96010-971, Pelotas (RS), Tel. (53) 3275-8100, www.embrapa.br/fale-conosco/sac/; Onde comprar: mudas enxertadas devem ser adquiridas de viveiristas com boas referências no mercado; Mais informações: Empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ematers) e Universidades com cursos na Área de Fruticultura podem fornecer orientações.

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