Prisão de falso médico em SP: polícia pedirá inclusão de foragido no Chile no cadastro de procurados da Interpol
Foragido, o instrumentador cirúrgico Maike César Silva será alvo de um pedido de inclusão na lista de procurados da Interpol, segundo o delegado José Mariano Filho, do 22° DP de São Paulo. Silva, que fugiu para o Chile, foi um dos alvos da Operação Hipócrates II na terça-feira. Os investigadores apuram a atuação de dois homens suspeitos de exercer ilegalmente a medicina no Hospital de Clínicas Jardim Helena, na Zona Leste. Ao menos nove mortes são investigadas no caso por suspeita de mau atendimento.
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— Desde o início das investigações ele (Silva) estava em local incerto e não sabido. Tentamos monitorá-lo através de seus parentes. E foi por intermédio do monitoramento deles que descobrimos que ele teria se evadido para o Chile. Mesmo assim, a coleta de provas contra ele prosseguirá e futuramente será solicitada a inclusão dele em cadastros de procurados internacionalmente — afirma o delegado.
Silva e Marcos Phelipe de Barros, preso na terça-feira, foram responsáveis por cerca de dois mil atendimentos na rede hospitalar em dois anos, Barros é biomédico e utilizava documentos verdadeiros de um médico Nicolas Joseph Della Matta, segundo a investigação.
A defesa de Silva e Barros classificou a operação “midiática e injusta” e negou que os clientes tenham exercido ilegalmente a medicina. Também afirmou que o foragido pretende se entregar às autoridades.
As investigações apontam que Silva também atuava em atendimentos emergenciais do Samu de Taboão da Serra. Uma das mortes suspeitas é a de uma paciente diagnosticada com dengue que sofreu uma parada cardíaca, em 2024, após ser atendida pelos dois falsos médicos.
Os policiais também investigam uma possível omissão da direção do hospital, uma vez que os suspeitos tinham salários inferiores aos dos demais médicos da unidade. Segundo o delegado, o cenário levantou suspeitas.
Crime familiar
A investigação aponta também que o pai de Barros também exercia medicina ilegalmente e trabalhava para o crime organizado. Ele chegou a ficar preso pelo crime. A polícia, no entanto, não detalhou como se dava essa participação.
— O pai de Barros foi surpreendido por policiais militares na região de São Mateus enquanto dispensava cuidados médicos a dois criminosos baleados. Foi autuado em flagrante e ficou preso durante algum tempo — afirma Mariano Filho.
