Primeiros petroleiros iranianos cruzam zona de bloqueio dos EUA, relata site de rastreamento

Primeiros petroleiros iranianos cruzam zona de bloqueio dos EUA, relata site de rastreamento

Fonte: Bandeira



Os primeiros petroleiros carregados com petróleo iraniano cruzaram a linha de bloqueio dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, informou o site TankerTrackers nesta quarta-feira, dois dias antes da assinatura de um acordo entre os dois países, cujos detalhes são escassos.

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"Pelo menos dois superpetroleiros da Companhia Nacional de Petroleiros Iranianos (NITC), chamados DIONA (9569695) e HERO2 (9362073), deixaram o perímetro de bloqueio da Marinha dos EUA com um total combinado de 3,8 milhões de barris de petróleo iraniano", informou o site, que monitora carregamentos de petróleo bruto, na plataforma de mídia social X.

Posteriormente, o site relatou a passagem de um terceiro petroleiro iraniano.

"Estas são as primeiras exportações de petróleo bruto do Irã em dois meses", observou o TankerTrackers.

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O site especificou que analisou os sinais do transponder dos navios, que foram comparados com imagens de satélite nesta terça-feira. O governo iraniano anunciou naquele dia o fim do bloqueio americano aos seus portos, às vésperas da assinatura de um acordo de paz com os Estados Unidos, agendada para sexta-feira.

A assinatura deste memorando de entendimento ocorrerá no hotel de montanha Burgenstock, na Suíça, e será o ponto de partida para dois meses de negociações, tendo como primeiro passo a tão aguardada reabertura do estratégico Estreito de Ormuz. Mas o otimismo quanto à possibilidade de um fim à guerra, iniciada em 28 de fevereiro com os bombardeios israelenses e americanos contra o Irã, foi atenuado por novos ataques israelenses no sul do Líbano.

Ainda assim, espera-se que as negociações para um acordo final comecem imediatamente após a assinatura na Suíça e devem incluir decisões sobre o programa nuclear iraniano, o levantamento das sanções internacionais contra Teerã e a reabertura de Ormuz.

Em circunstâncias normais, um quinto do petróleo mundial transita por essa passagem marítima estratégica, que tem sido restringida pelo Irã desde o início do conflito. Após uma queda acentuada nos últimos dias, o preço do petróleo Brent, referência global, caiu abaixo de US$ 80 o barril nesta terça-feira, pela primeira vez desde o início de março.

Ataque no Líbano

O acordo deve permitir que o Irã retome as vendas de petróleo e ponha fim ao conflito, segundo o Wall Street Journal, que citou fontes familiarizadas com o texto. A publicação acrescentou que as sanções às vendas de petróleo serão suspensas imediatamente após a assinatura, permitindo ao Irã acesso a serviços como bancários, de transporte e de seguros.

Apesar do anúncio do acordo, as forças armadas israelenses anunciaram que realizaram um ataque aéreo no sul do Líbano logo após "identificarem um veículo suspeito" perto de onde seus soldados estavam operando. Também anunciaram que suas forças interceptaram foguetes e atacaram um lançador de mísseis.

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O comando central iraniano alertou que Israel responderia "severamente" aos ataques, que, segundo a agência de notícias estatal libanesa, atingiram dois veículos e mataram quatro pessoas. O Irã insistiu que o acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio deve incluir o fim das hostilidades israelenses no Líbano, onde Israel luta contra o movimento pró-Irã Hezbollah. Israel afirma não ser parte do acordo.

Um alto funcionário americano, falando sob condição de anonimato, declarou que o pacto já foi assinado eletronicamente pelo presidente Donald Trump, pelo vice-presidente JD Vance, pelo vice-ministro das Relações Exteriores iraniano Majid Takht Ravanchi e pelo negociador-chefe da República Islâmica, Mohammad Bagher Qalibaf.

"Uma nova rodada de negociações entre o Irã e os Estados Unidos para chegar a um acordo final provavelmente começará na sexta-feira, em local ainda a ser definido", disse o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.

O acordo é resultado de semanas de negociações mediadas pelo Paquistão e pelo Catar. Os Estados Unidos e Israel pressionam pela remoção do estoque de urânio altamente enriquecido do Irã, que acreditam ter sido enterrado após os ataques aéreos americanos do ano passado. O Irã defende seu direito de enriquecer urânio para fins civis.

Quando questionado na cúpula do G7 na França sobre a divulgação do memorando de entendimento com o Irã, Trump respondeu: "É um documento muito importante, e quero que seja divulgado. Provavelmente muito em breve." Enquanto isso, o jornal conservador iraniano Van-e Emrooz saudou o texto como "um documento de rendição de Trump". Mas o Ministro das Relações Exteriores, Araqchi, foi mais comedido.

"Temos um histórico de promessas quebradas, um histórico de acordos descumpridos. Tudo isso está em nossas mentes", afirmou.