Previsão de inflação para 2026 sobe a 5,22%, mas projeção para Selic cai após primeiro turno das eleições

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

As projeções de inflação chegaram à sua quarta semana consecutiva de alta no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, saindo de 5,01% para 5,22%. Ainda assim, a previsão para a Selic voltou a cair, de 13,50% na divulgação anterior, para 13,25%.

A taxa básica de juros está atualmente em 13,75% ao ano. O relatório é o primeiro captado após o primeiro turno das eleições de 2026, já que o publicado no dia 5 deste mês foi elaborado na sexta anterior ao pleito.

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Andre Braz, economista do FGV Ibre, acredita que a revisão reflete principalmente a incorporação do IPCA de setembro, que veio acima do esperado, com alta de 0,82%. Ele explica que os preços da energia elétrica pressionaram o índice, com o fim do desconto temporário de Itaipu, mas também houve pressão de alimentos, combustíveis e passagens aéreas.

— Quando a inflação de um mês surpreende para cima, a projeção do ano aumenta, mesmo que as estimativas dos meses seguintes permaneçam iguais. Por isso, a revisão não significa que os preços passarão a subir no ritmo de setembro.

Parte da pressão da energia foi pontual, embora o retorno da alta dos alimentos mereça atenção. E a expectativa para 2027 permaneceu em 4,3%, o que sugere uma revisão mais concentrada no fechamento deste ano.

Já André Valério, economista do Inter, acrescenta que, além da inflação de setembro acima do esperado, há o fator de que estamos entrando em um período de sazonalidade de alta do IPCA. Segundo ele, desde 2010, as medianas dos meses de outubro, novembro e dezembro são 0,50%, 0,51% e 0,62%, respectivamente, muito por conta de altas nos alimentos, que devem se manter pressionados até o final do ano.

— Se assumirmos que a inflação irá convergir para essa mediana nas próximas três leituras, o IPCA fecharia 2026 com alta acumulada de 5,66% — projeta. — Nossa expectativa de momento é que o IPCA encerre 2026 por volta de 5,30%, refletindo essa aceleração da inflação de alimentos no curto prazo.

Valério diz ainda que, na sua visão, são justamente os resultados da disputa presidencial que explicam o arrefecimento das expectativas para os juros, a despeito da alta nas projeções de inflação: — Com o desempenho de Flávio acima do projetado pelas pesquisas, a probabilidade da sua vitória aumentou.

A expectativa que um eventual governo Bolsonaro entregue uma política fiscal mais austera do que a do atual governo levou a uma reprecificação forte da curva de juros. Uma política fiscal mais restritiva seria mais uma pressão negativa de demanda, o que diminuiria ainda mais a probabilidade de que os choques de oferta correntes contaminem o restante dos preços, e permitiria, inclusive, uma intensificação do ciclo de cortes da Selic pelo Copom.

O economista também lembra que a alta de setembro foi focada nos grupos de habitação, alimentação e bebidas e transportes, que são amplamente influenciado por fatores de oferta. Portanto, sem sinais claros de aceleração pela demanda, não haveria urgência de uma resposta da política monetária, o que contribui para a queda nas projeções de juros.

Contas que não fecham: Plano genérico de Flávio Bolsonaro e gradualismo de Lula deixam dúvida sobre Orçamento Além disso, Valério explica que o horizonte relevante da política monetária é o 2º trimestre de 2028, de forma que haveria tempo suficiente para a reversão desses choques que impactam o IPCA no curto prazo.

— O Banco Central ficará atento na capacidade desses choques de oferta contaminarem o restante dos preços. Um requerimento para tanto seria uma demanda aquecida, o que não parece ser o caso, nesse momento.

Os dados de consumo e endividamento indicam que os consumidores têm pouco renda disponível, enquanto a atividade dá sinais cada vez mais claros de moderação e o mercado de trabalho também aparenta perder dinamismo na ponta — conclui. Por fim, as expectativas do Focus para o PIB se mantiveram estáveis em relação à divulgação anterior, permanecendo em 1,85% para 2026 e 1,40% para 2027.

Esses números, no entanto, são inferiores aos projetados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que estimou crescimento de 2,2% para o Brasil em 2026 e 1,9% no fim do ano que vem. Os resultados foram divulgados nesta segunda, no relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês) de outubro.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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