247 – O mercado financeiro inicia a sessão em ritmo de readequação após um dia de intensa volatilidade nos ativos domésticos. A moeda dos Estados Unidos apresenta declínio de 1,01% às 10h10 desta terça-feira (27), cotada a R$ 5,34, em um movimento de correção frente ao salto expressivo do dia anterior, relata o jornal O Globo.
A reação do mercado ocorre após a confirmação da vitória do presidente Lula (PT) no pleito presidencial. A alternância de poder que era aguardada por parcela dos investidores não se concretizou, desencadeando um realinhamento expressivo nos preços dos ativos brasileiros.
Na segunda-feira (26), a cotação do dólar chegou a atingir R$ 5,60 durante a abertura — o teto de variação permitida de 12,25% — e encerrou a jornada com valorização de 8,2%, cotada a R$ 5,40, registrando o nível mais alto do ano e a maior desvalorização relativa do real entre as 31 principais divisas do mundo.
De acordo com a avaliação de Thiago Pedroso, sócio da Criteria Investimentos, a movimentação atual reflete uma estabilização técnica após os patamares críticos observados na véspera. O especialista destacou que ativos como o indicador de recibos de ações de instituições financeiras do país mostraram recuperação durante o período posterior ao fechamento das bolsas norte-americanas.
Pedroso ressalta que não prevê um processo contínuo de piora nos indicadores, contudo pondera: “a ausência de sinalizações concretas poderá prolongar a pressão sobre Bolsa, câmbio e juros”. Enquanto o dólar busca equilíbrio em âmbito doméstico, o indicador internacional que mensura a força da moeda norte-americana perante um conjunto de seis divisas globais de países desenvolvidos registrava avanço de 0,22%.
Trajetória da dívida pressiona juros e bolsa No mercado de renda fixa, as taxas dos contratos futuros de juros iniciaram as negociações em alta expressiva ao longo de todos os prazos de vencimento.
Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, aponta que o comportamento dos investidores reflete a ausência de um plano claro para conter a relação entre a dívida pública e o produto interno bruto. “Conforme afirma o IFI, a projeção é de que a relação da dívida com o PIB chegue perto de 90% em 2030.
E o que se sugere é que seguiremos nessa trajetória. E o mercado se reajusta”, diz.
Ao término das negociações da sessão antecedente, as taxas do Depósito Interfinanceiro apresentaram forte disparada em relação aos níveis da última sexta-feira (23): Janeiro de 2028: subiu de 12,825% para 14,905%
Janeiro de 2029: avançou de 12,595% para 15,25% Janeiro de 2030: passou de 12,56% para 15,28%
Janeiro de 2031: saltou de 12,575% para 15,24% Janeiro de 2032: subiu de 12,59% para 15,24%
Paralelamente, a Bolsa de Valores de São Paulo vivenciou um dia de forte estresse. O principal índice acionário acionou o mecanismo de paralisação temporária de emergência na abertura e encerrou a segunda-feira com queda acentuada de 13,88%, fixado em 176.608 pontos.
O volume negociado alcançou cerca de R$ 88,6 bilhões. Este foi o menor patamar do indicador desde 22 de janeiro — data em que havia atingido seu recorde histórico — e representou o maior recuo diário verificado desde março de 2020, período de eclosão da crise sanitária global.
Durante o momento mais crítico da sessão, a baixa do índice chegou a 17,3%, perfurando a barreira dos 170 mil pontos. Analisando a trajetória fiscal e os desdobramentos sobre a economia, Marianna Costa reforçou a mudança de postura nos mercados: “houve uma reprecificação dos ativos.
Terminamos a sexta-feira com uma probabilidade grande de vitória da oposição e temos, na segunda-feira, um cenário diferente. Os candidatos divergiam sobre o que deveria acontecer com a política fiscal.
A percepção é de que o ajuste fiscal, mesmo que aconteça, ainda fica aquém do necessário para estabilizar a relação dívida/PIB. A projeção é de ela chegue perto de 90% em 2030.
E a manutenção sugere que seguiremos nessa trajetória, sem estabilizar”. Em relatório assinado por Solange Srour e Luciano Telo, a área de gestão de fortunas do banco UBS no Brasil apontou que a queda das ações é decorrência direta da falta de clareza sobre o plano de consolidação das contas públicas.
“Portanto, esperamos que os preços das ações, a cotação do real e as taxas de juros voltem aos níveis anteriores ao primeiro turno desta eleição, com risco de uma reação temporariamente mais adversa, para além desses níveis”, acrescentam os analistas.
Brasil 247