Pressionado para desistir na reta final da disputa presidencial e apoiar Flávio, Zema diz que levará candidatura 'até o fim'

Pressionado para desistir na reta final da disputa presidencial e apoiar Flávio, Zema diz que levará candidatura 'até o fim' - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

O ex-governador Romeu Zema (Novo) negou nesta segunda-feira que desistirá da candidatura presidencial, em meio ao aumento da pressão de aliados na reta final da campanha para que ele saia da disputa e apoie o senador Flávio Bolsonaro (PL). Com 1% de intenções de voto na pesquisa Quaest divulgada hoje, o ex-mandatário não tem conseguido emplacar uma posição competitiva e tem assistido correligionários e aliados declararem apoio ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). — Estou aqui começando a minha segunda-feira. Vou ficar todo o tempo em campo. Levo a minha proposta até o final. Derrotei já o PT duas vezes em Minas Gerais. E sou um candidato ficha limpa, sem rabo preso e que mais combate a corrupção, que é o grande câncer do Brasil — disse o governador em um vídeo divulgado por sua assessoria de imprensa.

A desistência também foi negada ao GLOBO pelo vice escolhido para a chapa, o senador Eduardo Girão (Novo), que atribui a pressão a um "movimento isolado" e relatou que estará ao lado do ex-governador nos próximos dias, com agendas previstas para Juiz de Fora (MG) e Manaus (AM). Dentro da campanha, interlocutores também afirmam que Zema quer ir até o fim e que tem uma sequência de compromissos a serem cumpridos no interior de São Paulo antes do primeiro turno.

Nos últimos dias, no entanto, o ex-governador tem sido pressionado por aliados que, até então, apoiam a campanha e conselheiros a abrir mão da candidatura e apoiar Flávio Bolsonaro. O parlamentar também tem feito apelos ao voto útil na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Parte do entorno dele tem argumentado, por sua vez, que a manutenção da candidatura presidencial é importante para a expansão do partido. Neste ano, a sigla tentará ultrapassar a cláusula de barreira, que não foi alcançada na última eleição, restringindo o acesso da campanha ao fundo eleitoral e impedindo a participação dos candidatos no horário eleitoral gratuito na TV e no rádio.

Em paralelo, a direção do partido também apostava em indicações ao Senado competitivas, como o deputado federal Ricardo Salles (Novo) por São Paulo. Ele, no entanto, anunciou hoje a desistência de sua e o apoio à chapa Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), que fazem parte do grupo político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A sigla também espera conseguir eleger o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo) para o Senado pelo Paraná, mesmo com a campanha suspensa por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo) pelo Rio Grande do Sul.

Na região Sul do país, no entanto, integrantes do Novo têm alianças com o bolsonarismo e compõem chapas com o PL, que tem Flávio como presidenciável. Na pré-campanha, os diretórios desses estados chegaram a intervir e publicar notas de repúdio em resposta a um vídeo publicado por Zema com críticas ao senador. Desde então, em função de uma orientação dada pela direção nacional do partido, os ataques ao adversário cessaram.

Em Minas Gerais, o candidato do Novo ao Senado, Marcos Antonio Costa, conhecido como "Superman", também tem declarado voto em Flávio e cumprido agendas ao lado dos deputados Nikolas Ferreira (PL) e Domingos Sávio (PL). No estado, o atual governador e postulante à reeleição, Mateus Simões (PSD), já sinalizou que estará com o filho do ex-presidente no segundo turno. O apoio ao presidenciável do PL também foi declarado por Sebastião Coelho (Novo), candidato ao Senado pelo Distrito Federal (DF).

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo