Presidente libanês acusa Hezbollah de 'traição', mas recusa acordo 'humilhante' com Israel em meio ao frágil cessar-fogo
Em meio ao frágil cessar-fogo em seu Estado, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, criticou o Hezbollah, milícia xiita apoiada pelo Irã, nesta segunda-feira, afirmando que "a traição é cometida por aqueles que levam seu país à guerra para alcançar interesses estrangeiros". Em comunicado divulgado por seu gabinete, Aoun também recusou todo acordo "humilhante" com Israel no termo das negociações, cuja última rodada foi mediada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou a extensão da trégua no território libanês por três semanas, na última quinta-feira — apesar de os confrontos entre as partes seguirem desde então.
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"Informamos ao lado americano, que conduz os esforços – o que foi apreciado – desde o primeiro momento, que um cessar-fogo é um primeiro passo necessário para quaisquer negociações subsequentes" com Israel, disse o presidente libanês.
Na última quinta-feira, quando Trump anunciou a extensão do cessar-fogo, o Departamento de Estado americano afirmou, em comunicado, que "Israel não realizará nenhuma operação militar ofensiva contra alvos libaneses, incluindo alvos civis e militares, bem como outros alvos estatais em território libanês, por terra, mar e ar". Mas, desde então, a realidade é outra.
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O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio no início de março, quando lançou foguetes contra Israel em vingança pela morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Israel, então, respondeu com bombardeios e uma invasão terrestre.
Apesar dos recorrentes ataques e de dizer que o grupo continuará a lutar contra a "agressão" israelense no sul do Líbano, o líder do Hezbollah pediu, também nesta segunda-feira, o retorno das negociações indiretas com Israel.
Em paralelo ao apelo e às críticas de Aoun, as Forças Armadas israelenses (IDF, na sigla em inglês) afirmaram que mataram três membros do Hezbollah em um ataque aéreo próximo à linha de defesa no sul do Líbano, no domingo. As IDF também informaram que várias estruturas militares do grupo foram atingidas na mesma área, incluindo o que descreveu como o quartel-general do setor de Bint Jbeil.
Mais de 10 mortes, incluindo crianças
No domingo, ataques israelenses contra o sul do Líbano deixaram 14 mortos, incluindo duas crianças. O Exército de Israel, por sua vez, informou que um soldado morreu e seis ficaram feridos.
Na ocasião, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que seu Exército lutava "vigorosamente" contra a milícia xiita. O premier disse que o Hezbollah estava "desmantelando a trégua", enquanto o movimento pró-iraniano anunciou que responderia às violações israelenses e sua "ocupação contínua" do Líbano.
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Em um comunicado, o governo libanês informou que duas mulheres e duas crianças estavam entre os mortos nos ataques de domingo. Além disso, 37 pessoas ficaram feridas.
— Isto significa liberdade de ação não apenas em resposta aos ataques (...) mas também às ameaças imediatas e até ameaças emergentes — disse Netanyahu.
O Hezbollah, por sua vez, afirmou "que as contínuas violações do cessar-fogo pelo inimigo (...) e, sobretudo, a sua contínua ocupação do território libanês e as violações da sua soberania serão respondidas.
(Com AFP)
