Irã entrega aos EUA lista com 'pontos inegociáveis' nas conversas pela paz, diz agência

 

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O Irã entregou, através do Paquistão, uma lista para ser enviada aos Estados Unidos com diversos pontos considerados 'inegociáveis' nas conversas sobre a paz entre os dois países. A informação foi divulgada pela agência de notícias estatal iraniana Fars.

Essa lista foi enviada pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em viagem para a capital paquistanesa neste final de semana.

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Entre os itens, diz a agência, estão 'questões nucleares e o Estreito de Ormuz'.

Essa lista, contudo, não significa nada diretamente sobre as negociações. A ideia iraniana é tentar 'esclarecer' para que as conversas prossigam. Apesar disso, novos detalhes não foram revelados.

Ao chegar na Rússia para conversas com altas autoridades do país e uma tentativa de apoio, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou os Estados Unidos de realizarem 'exigências excessivas' nas negociações.

O presidente russo Vladimir Putin e o ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araghchi.

Dmitry LOVETSKY / POOL / AFP

De acordo com ele, isso gerou um fracasso nas recentes tentativas de conversa no Paquistão.

A informação foi divulgada pela Press TV do Irã, após uma reportagem do Axios de que o Irã havia submetido uma proposta aos Estados Unidos por meio de mediadores paquistaneses.

Araghchi declarou que os EUA possuíam 'abordagens equivocadas'. Mesmo assim, ele admitiu que houve avanço.

'De qualquer forma, houve avanços no processo de negociação, mas as abordagens equivocadas e os excessos dos Estados Unidos fizeram com que a rodada anterior de negociações não atingisse seus objetivos, apesar dos progressos', afirmou o diplomata iraniano.

Sobre sua visita ao Paquistão no dia anterior, Araghchi declarou que 'no que diz respeito ao Paquistão, este país amigo desempenhou um papel importante na mediação das negociações entre o Irã e os Estados Unidos recentemente, e era necessário discutir os últimos acontecimentos'.

Em Islamabad, acrescentou, 'revisamos os eventos passados ​​e discutimos como e sob quais condições as negociações poderiam prosseguir'.

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Explosão no Estreito de Ormuz.

SEPAH NEWS / AFP

Uma alta autoridade do Irã defendeu nesta segunda-feira (27) que o país tenha o controle do Estreito de Ormuz através das Forças Armadas, que seriam responsáveis pela segurança do local. A ideia está em uma lei proposta pelo país para gestão da via marítima.

Ebrahim Azizi, chefe da comissão de segurança nacional do parlamento iraniano, disse à televisão estatal que as forças armadas já controlavam o estreito e buscavam impedir a passagem de 'embarcações hostis'.

Azizi também afirmou que a lei proposta estipula que os ganhos financeiros provenientes do estreito devem ser pagos na moeda local, o rial.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta segunda-feira (27) que 'alguns acordos foram alcançados' com Omã durante seu encontro com autoridades em Mascate, capital do país, citando o Estreito de Ormuz como um interesse comum.

'O Irã e Omã são ambos países costeiros ao longo do Estreito de Ormuz, e era necessário consultar sobre este assunto', disse ele em um comunicado, acrescentando que 'como os dois países que têm vista para este estreito, o Irã e Omã devem manter uma estreita coordenação para garantir nossos interesses comuns'.

Ele afirmou que as consultas entre os dois países continuarão em nível de especialistas. Não foram informados outros detalhes.

O ministro iraniano acrescentou que sua viagem ao Paquistão no fim de semana foi 'muito bem-sucedida'.

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, disse nas redes sociais que teve uma 'boa conversa' com o Irã sobre o Estreito de Ormuz, acrescentando que 'muita diplomacia' e 'soluções práticas' são necessárias para garantir a liberdade de navegação na hidrovia. Ele não mencionou a assinatura de nenhum acordo.