Presidente do PT critica delações pós-prisões e diz que Moraes deve 'ter seus motivos' para desengavetar ação que trata do tema

 

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O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta quinta-feira (9), durante jantar com empresários em São Paulo, que o modelo atual de delação premiada ocasionou uma "tragédia" no Brasil, com a prisão de acusados, durante a Operação Lava-Jato, como pressão para que eles denunciassem o cometimento de crimes.

A fala do dirigente petista ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), desengavetar uma ação proposta pelo PT para que o instrumento passasse por uma regulação.

Como mostrou a colunista do GLOBO Malu Gaspar, em meio ao avanço das tratativas para uma delação premiada de Daniel Vorcaro, Moraes pediu a sua inclusão do processo na pauta da Corte. A movimentação indica que o ministro, potencial alvo das revelações do dono do Master, pretende tentar restringir a validade da delação, como já fez há duas semanas, quando deu uma liminar restringindo o uso dos relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Para Edinho, que evitou comentar a decisão de Moraes, as delações premiadas precisam passar por um debate público.

– Nós vivenciamos uma tragédia no Brasil, quando empresários foram presos e essa prisão foi utilizada como instrumento de delação. Isso não é correto. A delação é um instrumento jurídico que tem que ser utilizado, mas não se pode prender alguém para que essa pessoa delate. Você tem que usar o instrumento da delação para que se apure a criminalidade, para punir os criminosos, e não utilizar a prisão como um instrumento de pressão para que a pessoa seja obrigada a delatar. É um debate que o Brasil tem que fazer, senão daqui a pouco qualquer pessoa pode ser presa para que entregue A, B, C ou D– afirmou Edinho Silva.

O presidente do PT, no entanto, evitou comentar a decisão de Moraes.

– Não acho ruim debater isso. Se é o momento de pôr na pauta para debater, certamente o ministro que fez isso deve ter os seus motivos – completou.

Após falar das delações, o dirigente passou a elogiar Alexandre de Moraes e comentou o "conselho" de Lula para que o ministro se abstivesse de julgar ações do caso Master. Um dos pontos a ser esclarecido na delação delação que Daniel Vorcaro está negociando com a Procuradoria Geral da República (PGR) é o contrato que o banco fechou em 2024 com o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, prevendo o pagamento de R$ 130 milhões de reais em três anos para a prestação de serviços junto ao Executivo e ao Legislativo em Brasília.

–A história há de registrar que ele teve um papel importante para que o Brasil não vivenciasse um golpe de Estado. Para que o Brasil não vivenciasse uma agressão à nossa democracia e que não se criasse um pressuposto que, quando alguém perde uma eleição, o perdedor tem o direito de organizar um golpe. Isso é grave. O ministro teve um papel importante, que ele, portanto, tome os cuidados necessários. Acho que foi nesse sentido a orientação do presidente Lula, para que ele não macule uma página tão bonita na reavaliação que ele escreveu na defesa da democracia brasileira. As pessoas terem o direito a orientar alguém, isso não é ruim, isso não é demérito para ninguém – finalizou Edinho.

O evento do qual participou Edinho foi realizado pela Esfera Brasil e contou com a presença de empresários, advogados e políticos. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, também esteve presente e participou de um debate com o dirigente do PT.