Eleições na Hungria: premier Orbán acusa oposição de conspirar com serviços estrangeiros
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, afirmou nesta sexta-feira que seus “adversários” estariam tentando gerar “caos” e “conspirar com serviços de inteligência estrangeiros” com o objetivo de questionar o resultado das eleições legislativas marcadas para domingo, segundo mensagens publicadas no Facebook do próprio premier.
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A Hungria, país com pouco menos de 10 milhões de habitantes, realiza no domingo uma eleição parlamentar na qual Orbán, de 62 anos, busca um quinto mandato. No entanto, pela primeira vez desde que chegou ao poder em 2010, ele não lidera as pesquisas. Levantamentos independentes apontam vantagem para seu principal rival, o conservador pró-europeu Peter Magyar, líder do partido Tisza.
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Em publicação nas redes sociais, Orbán acusou seus “adversários” de “conspirar com serviços de inteligência estrangeiros” para “apoderar-se do poder”. O primeiro-ministro também afirmou haver “ameaças de violência” contra seus apoiadores, “acusações de fraude eleitoral fabricadas” e “manifestações pré-organizadas” antes mesmo da contagem dos votos.
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Akos Stiller/The New York Times
Em resposta, Magyar pediu calma à população e defendeu que os húngaros “não cedam a qualquer provocação e mantenham a serenidade”. O opositor também afirmou que Orbán deveria “aceitar” o resultado das urnas com “a calma e a dignidade que se impõem”.
Em outro trecho divulgado pelo Facebook, o líder da oposição disse: “As fraudes eleitorais em curso, levadas a cabo há meses pelo partido no poder, Fidesz, bem como os atos criminosos, as operações de inteligência, a desinformação e as notícias falsas, não podem mudar o fato de que o Tisza vai ganhar estas eleições”.
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O cenário eleitoral ocorre em meio a disputas geopolíticas e tensões diplomáticas. Nesta semana, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, visitou Budapeste em uma tentativa de aproximação com o governo húngaro. Já o presidente norte-americano Donald Trump declarou apoio público a Orbán em sua rede Truth Social, afirmando: “Hungria: VOTEM POR VIKTOR ORBÁN. É um verdadeiro amigo, um lutador e um GANHADOR, e conta com meu apoio total e absoluto”.
O vice-presidente JD Vance e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, em Budapeste, na terça-feira
Jonathan Ernst
Orbán mantém, há anos, uma relação próxima tanto com Washington quanto com Moscou, o que contrasta com suas frequentes tensões com instituições da União Europeia. O bloco europeu acusa o governo húngaro de enfraquecer o Estado de direito e restringir liberdades democráticas, além de ter congelado bilhões de euros em fundos destinados ao país.
