Presidente do BC do Canadá promete cautela em novos aumentos de juros

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Fonte da notícia: Globo Globo

O presidente do Banco do Canadá (BoC), Tiff Macklem, afirmou aos legisladores do país que a autoridade monetária agirá com cautela ao promover novos aumentos nas taxas de juros, devido ao elevado grau de incerteza no cenário comercial e geopolítico. Na semana passada, o BoC elevou sua taxa básica de juros para 2,5%, o primeiro aumento em mais de três anos.

Durante duas horas de depoimento à comissão de finanças do legislativo federal, Macklem defendeu a decisão da semana passada. Ele explicou que foi necessário enfrentar o acúmulo de pressões sobre os custos, bem como a expectativa de que um número maior de empresas aumente seus preços nos próximos 12 meses.

Mesmo com o ajuste de 0,25 ponto percentual, ele ressaltou que a política de juros continuará oferecendo suporte a uma economia que apresenta melhora, embora não seja necessariamente robusta. Macklem reiterou, em grande parte, os fundamentos da decisão da semana passada: uma perspectiva de inflação bem mais elevada, impulsionada pelos altos preços da energia, somada a uma modesta melhora no crescimento econômico.

Ele afirmou que “pode haver necessidade de elevar” ainda mais as taxas, reconhecendo, contudo, que um elevado nível de incerteza continua a pairar sobre a economia canadense. “Os desdobramentos no Oriente Médio e as relações comerciais entre Canadá e Estados Unidos permanecem em um cenário de incerteza”, disse Macklem.

“Há também dúvidas quanto ao impacto de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos e sobre a extensão em que os custos de energia acabarão sendo repassados aos preços ao consumidor de forma mais ampla”, acrescentou. No entanto, ele ressaltou: “não queremos que uma inflação mais alta persista.”

Por outro lado, alguns economistas indicam que podem rever suas projeções para as taxas de juros, diante de indicadores que vieram abaixo do esperado, com destaque para os dados do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados de emprego referentes a outubro serão divulgados na sexta-feira.

Segundo analistas, um terceiro relatório consecutivo com resultados fracos poderia levar o mercado a reduzir suas expectativas quanto a novos aumentos de juros. O BoC revisou, de forma moderada, sua projeção de crescimento para a economia.

Em seu depoimento, Macklem destacou o aumento das exportações, a melhora nos investimentos empresariais e sinais de que as empresas estão se adaptando às mudanças no ambiente comercial. A economia, disse Macklem, “está, na verdade, demonstrando uma resiliência impressionante” e, por isso, já não necessita de uma política de taxas de juros tão acomodatícia.

Em 2,5%, a taxa básica do banco central permanece abaixo do ponto médio da taxa neutra, o nível no qual as taxas de juros não contraem nem estimulam a atividade econômica. O Banco do Canadá estima que a taxa neutra no país situe-se entre 2,25% e 3,25%.

“O que eu gostaria de ressaltar aqui é que, em 2,5%, nossa taxa básica ainda não está restringindo o crescimento. Na verdade, temos apoiado o crescimento, mas a economia não precisa de tanto apoio assim”, afirmou.

Alguns legisladores questionaram a necessidade de um aumento na taxa de juros. Um membro do Partido Liberal, que está no governo, argumentou que isso poderia prejudicar os esforços para aumentar o investimento empresarial.

Macklem afirmou que há evidências abundantes de que uma parcela significativa das empresas pretende repassar o aumento dos custos de insumos aos consumidores nos próximos 12 meses. A projeção oficial do banco central aponta para uma inflação acima de 3% durante a maior parte de 2027, com um retorno gradual à meta de 2% até meados de 2028.

“Precisamos fazer o nosso melhor para olhar para o futuro, antecipar os rumos da economia e utilizar nossa taxa de juros para conduzir a inflação de volta à meta”, disse o presidente do banco central canadense.

Publicação Original Globo valor.globo.com
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