Presidente de associação alvo de operação da PF recebeu Auxílio Emergencial e se calou durante CPI do INSS

Presidente de associação alvo de operação da PF recebeu Auxílio Emergencial e se calou durante CPI do INSS

 

Fonte: Bandeira



O presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), uma das entidades que foram alvos da operação da Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (27), que apura descontos indevidos em benefícios do INSS, recebeu Auxílio Emergencial durante a pandemia da Covid-19. Em dezembro, ele compareceu à Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) do INSS no Senado, mas se manteve em silêncio na maior parte do tempo após conseguir um habeas corpus que o autorizou a não responder às perguntas.

O ex-presidente da entidade, Felipe Macedo Gomes, também compareceu à CPI e também não respondeu aos questionamentos dos parlamentares. O GLOBO contatou a defesa da entidade, e ainda não recebeu resposta.

Vídeo: PF encontra dinheiro em mala em operação que apura desvios de aposentadorias do INSS

A nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU) nesta quarta, cumpre 31 mandados de busca e apreensão e oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico em São Paulo, Distrito Federal, Pernambuco e Paraíba. Os mandados foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em São Paulo, além da Amar Brasil Clube de Benefícios, são alvos a Master Prev, a Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas (Anddap) e a Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (Aasap). Todas elas já respondem a processos administrativos instaurados pela CGU em setembro do ano passado.

Segundo relatório final da CPI do INSS, as quatro faziam parte de um mesmo núcleo, seja por compartilharem transações financeiras, seja por compartilharem diretores ou sócios.

A Amar Brasil firmou um acordo de cooperação técnica com o INSS em agosto de 2022, e até o fim de 2025, foram quase 7 milhões de descontos, que totalizaram R$ 324,6 milhões — foi a sexta entidade que mais lucrou de todas as envolvidas no esquema. Deste valor, 99,3% dos descontos foram sinalizados como não reconhecidos pelos beneficiários, segundo os registros feitos pelo aplicativo Meu INSS. Até setembro, cerca de R$ 106,5 milhões haviam sido devolvidos. As outras entidades paulistas alvos da operação firmaram os acordos que permitiram os descontos entre novembro de 2023 e março de 2024.

Já a Master Prev fez um total de R$ 231 milhões em descontos, entre novembro de 2023 até o início de 2025. A maioria dos descontos (99,2%) também foi contestada, e até setembro o valor devolvido havia sido de R$ 74 milhões. A Anddap, outro alvo da operação de hoje, efetuou R$ 94 milhões em descontos indevidos e a AASAP totalizou R$ 63,2 milhões.

Outras entidades alvos da operação são a Unibap e Abenprev, no Distrito Federal, e a Abapen, em Pernmabuco. Também são alvos servidores e ex-servidores de agências locais do INSS. Os investigadores identificaram indícios de que parte dos alvos estavam tentando se desfazer do seu patrimônio para não serem alcançados pela Justiça. As medidas visam evitar que isso aconteça para que esses bens sejam utilizados na reparação às vítimas das fraudes do INSS.