Presença feminina avança na siderurgia, mas ascensão ainda é desafio

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Fonte da notícia: Valor Valor

A presença feminina vem avançando na siderurgia, setor ainda majoritariamente ocupado por homens. Na CSN, a participação das mulheres no quadro de colaboradores dobrou em cinco anos, de 14% em 2020 para 28% em 2025. Na Aço Verde do Brasil (AVB), elas representam 19% da força de trabalho própria, acima da meta de 15% estabelecida para 2030. “A siderurgia ainda é um ambiente em que, historicamente, a presença masculina é muito maior, especialmente na operação e nos espaços de decisão. Construir uma carreira nesse setor significa conviver com essa realidade e perceber que a presença de uma mulher em determinadas posições ainda chama atenção de uma maneira que a presença de um homem não chama”, afirma Silvia Nascimento, CEO da Aço Verde. Em um setor técnico e industrial, credibilidade se constrói com conhecimento do negócio, presença na operação, capacidade de decisão e consistência ao longo do tempo. “A transformação mais importante é chegar a um ponto em que uma mulher em uma presidência industrial deixe de ser tratada como algo extraordinário. Aumentar a presença feminina na força de trabalho é importante, sobretudo em uma indústria que parte de uma presença historicamente baixa. Mas esse número sozinho não responde quem está participando das decisões”, completa.

O desafio é transformar entrada em carreira. No Programa Capacitar, a CSN recebeu mais de 4 mil inscrições de mulheres em 2025 e admitiu 500. Entre as que permanecem, cerca de 30% já tiveram movimentações de carreira. “Como empresa associada ao Movimento pela Equidade Racial (MOVER), a CSN ampliou o acesso a bolsas de estudo, programas de desenvolvimento de lideranças e formações em tecnologia, incluindo iniciativas promovidas pela Afreektech. Também divulgamos cursos livres e programas de pós-graduação em temas como Inteligência Artificial, Lógica de Programação com Python e Desenvolvimento de Aplicações em Inteligência Artificial”, explica Helena Brennand Guerra, diretora de sustentabilidade e meio ambiente da companhia.

A atuação é complementada pela Universidade Corporativa da CSN, que oferece uma variedade de cursos para o desenvolvimento de soft skills, como inteligência emocional, comunicação assertiva e gestão de pessoas, além de competências técnicas diretamente relacionadas às operações, incluindo elétrica, operação de máquinas e veículos, segurança e tecnologia dos materiais.

A empresa adota iniciativas voltadas à permanência e ao crescimento profissional das mulheres. Um exemplo disso é o Programa Empodera, que integra a trilha de sucessores do Grupo CSN e reúne mais de 200 colaboradoras. “Exclusivo para mulheres, esse programa oferece treinamentos e conteúdos específicos para fortalecer o pertencimento, desenvolver competências e ampliar a preparação para posições de liderança”, afirma Guerra.

A permanência e a ascensão profissional das mulheres também esbarram na divisão desigual das responsabilidades familiares. Segundo estudo divulgado em 2025 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), as mulheres dedicam, em média, 9,8 horas a mais por semana do que os homens ao trabalho doméstico e de cuidado não remunerado. O levantamento aponta ainda que, 24 meses após a licença-maternidade, metade das mulheres estava fora do mercado de trabalho.

Ao longo de mais de duas décadas no ambiente empresarial, Silvia Nascimento relata que acompanhou de perto a perda de profissionais que se tornaram mães e tiveram dificuldade para retornar ao trabalho. Em seu entendimento, cabe também à empresa decidir se vai ampliar ou reduzir a desigualdade entre homens e mulheres. “Quando oferece condições concretas para que uma profissional continue trabalhando depois da maternidade, a empresa está retirando uma barreira que não tem relação com competência. Apoios relacionados ao cuidado são parte disso. A própria reflexão que tenho feito há alguns anos é justamente que a função profissional não deveria competir em condições tão desiguais com responsabilidades familiares que, culturalmente, ainda recaem muito mais sobre as mulheres”, diz.

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