O diretor-presidente da Audi, unidade da Volkswagen, foi alvo de duras críticas nesta segunda-feira por aparecer ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um comício para anunciar a construção de uma fábrica de US$ 4 bilhões na Geórgia. A presidente do principal sindicato da Alemanha afirmou que a participação violou as diretrizes internas da montadora.
O projeto, que ainda precisa da aprovação do conselho de supervisão da controladora Volkswagen, surge após anos de discussões sobre a construção de uma fábrica nos Estados Unidos para escapar das pesadas tarifas americanas, que têm causado grandes prejuízos à companhia. O diretor-presidente da Audi, Gernot Doellner, apareceu ao lado de Trump no sábado, durante um comício em Perry, perto de Macon, na região central da Geórgia, para anunciar os planos de construção de uma unidade de montagem com capacidade para produzir 200 mil veículos utilitários esportivos (SUVs) por ano.
“A maneira como Gernot Doellner representou a si mesmo e a Audi nos Estados Unidos é profundamente constrangedora, politicamente inaceitável e indigna da empresa”, afirmou Christiane Benner em comunicado, acrescentando que a participação no evento violou as normas corporativas da Audi.
O código de conduta da Audi estabelece que não deve haver “participação pública em eventos com partidos políticos ou políticos candidatos a eleições, nem qualquer patrocínio a esses eventos” nos três meses anteriores a uma eleição. O investimento nos Estados Unidos também coincide com a maior reestruturação da história da Volkswagen, que inclui cortes expressivos de empregos e possíveis fechamentos de fábricas na Alemanha.
Gernot Dollner, CEO da Audi AG, discursa ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump, durante um comício no Guardian Centers em Perry, Geórgia, EUA, em 24 de outubro de 2026 REUTERS/Edgar Su
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