Prêmio Faz Diferença 2025: a pesquisadora Mariangela Hungria é vencedora na categoria Economia

 

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Para Mariangela Hungria, ser reconhecida em premiações é “furar a bolha do agro” e admitir o impacto que a ciência tem na economia, assim como valorizar a produção científica do Brasil. Além de ser a primeira brasileira a conquistar o Prêmio Mundial de Alimentação, uma espécie de Nobel da Agricultura, a engenheira agrônoma e pesquisadora na Embrapa Soja também foi considerada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026 pela revista Times.

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Isso por conta de sua contribuição no desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura brasileira. Se antes a adubação tinha como base produtos químicos, ela desenvolveu tecnologias para substituir fertilizantes nitrogenados por microrganismos que ajudam no crescimento das plantas e na absorção de nutrientes, garantindo maior produtividade para pequenos, médios e grandes produtores de soja.

— Todo mundo falava que não tinha futuro, que era um absurdo, que nunca ia dar certo em uma agricultura de larga escala. Mas eu realmente não tinha dúvidas e comecei a trabalhar com isso — conta. — Logo percebi que não adiantaria ter uma descoberta fantástica no laboratório, e validar isso no campo, mas ela não chegar ao agricultor. Então, me empenhei muito na difusão da tecnologia.

Hoje, 85% de toda a área cultivada com soja já utiliza suas tecnologias. São mais de 40 milhões de hectares trazendo um impacto econômico de US$ 25 bilhões na produção só em 2024. Com a substituição do fertilizante nitrogenado, o país também deixou de emitir 260 milhões de toneladas de CO² relacionado ao seu uso, segundo a pesquisadora, vencedora do Faz Diferença em Economia:

— Um reconhecimento a nível nacional é muito importante, porque a sociedade precisa saber que o investimento em pesquisa pública, que infelizmente é muito pequeno no Brasil, traz retorno econômico. A gente não fica ali só pesquisando abobrinha, queremos contribuir para uma sociedade melhor.

Se desde criança Mariangela já tinha o sonho de ser uma cientista, hoje ela inspira e dedica seu prêmio a mulheres que atuam na agricultura e no campo da segurança alimentar, desde as que trabalham em hortas domésticas e comunitárias até agrônomas e pesquisadoras.

Jurados dessa categoria: Flávia Barbosa (editora executiva); Luciana Rodrigues (editora de Economia); Malu Gaspar (colunista); Bernard Appy (vencedor na categoria em 2024).