Nobel da Paz Narges Mohammadi é hospitalizada no Irã após piora 'catastrófica'

 

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A ganhadora iraniana do Prêmio Nobel da Paz de 2023, Narges Mohammadi, foi transferida da prisão para um hospital após "uma piora catastrófica em sua saúde", informou sua fundação em um comunicado. Mohammadi recebeu a honraria por "sua luta contra a opressão das mulheres no Irã e para promover os direitos humanos e a liberdade para todos". Em fevereiro, um tribunal iraniano condenou a ativista a sete anos e meio de prisão por acusações relacionadas a conspiração e propaganda contra o sistema, mais um episódio em sua longa sequência de detenções.

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A família e os apoiadores de Mohammadi passaram semanas pedindo ao regime iraniano que permitisse que ela recebesse atendimento médico urgente. Até sexta-feira, esses apelos pareciam ter sido ignorados.

A Fundação Narges informou que a ativista foi transferida da prisão de Zanjan para um hospital local na província de Zanjan, no Irã. A fundação havia dito em fevereiro que Mohammadi estava em greve de fome e, no mês seguinte, alertou que ela se encontrava com a saúde extremamente debilitada, havia sofrido um possível ataque cardíaco e teve o atendimento médico especializado negado.

Mohammadi, de 53 anos, foi detida em meados de dezembro durante uma cerimônia fúnebre na cidade de Mashad, junto com outros ativistas, segundo denúncia de familiares citada pelo El País. Ela estava em liberdade condicional desde dezembro de 2024 por motivos médicos.

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No fim de novembro, havia denunciado que as autoridades lhe proibiram de forma “permanente” de deixar o país e que não emitiam passaporte para que pudesse visitar os dois filhos, que não vê há 11 anos.

A ativista já foi presa 13 vezes e condenada em nove ocasiões, tendo sido encarcerada pela última vez em 2021. Mesmo durante períodos de prisão, continuou denunciando violações de direitos humanos no Irã, incluindo a aplicação da pena de morte e a repressão a mulheres que não utilizam o véu islâmico.