247 – O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, celebrou publicamente a contundente virada política nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, onde o Partido Democrata assumiu o controle do Senado e da Câmara dos Representantes. Em mensagem publicada nesta quarta-feira (4), o líder espanhol relacionou a pesada derrota infligida ao governo de Donald Trump a um enfraquecimento global das correntes de extrema-direita.
Ao comentar o pleito norte-americano de terça-feira (3), Sánchez destacou a rejeição popular a agendas reacionárias. “Ontem, a sociedade norte-americana votou contra as políticas que só empobrecem.
Contra o ódio. Contra o machismo.
Contra o negacionismo climático e contra os privilégios das elites”, afirmou o chefe do governo espanhol. O premiê aproveitou o revés de Trump para fazer uma projeção sobre a política europeia e traçar um paralelo com as recentes disputas internacionais.
“Aconteceu no Brasil. Acaba de acontecer nos EUA.
E acontecerá em breve na Espanha. A onda ultra na qual Feijóo e Abascal pretendem surfar já não cresce: está se desmoronando”, declarou, citando os líderes da oposição conservadora e da extrema-direita em seu país, Alberto Núñez Feijóo e Santiago Abascal.
A alteração profunda na correlação de forças em Washington reconfigura a política interna dos Estados Unidos e impõe severos obstáculos à gestão de Donald Trump. O avanço democrata estendeu-se a redutos historicamente alinhados ao Partido Republicano, garantindo à oposição o poder de vetar propostas da Casa Branca e fiscalizar o Executivo.
Segundo informações apuradas pela agência Reuters, a contagem de votos aponta para vitórias em bases republicanas consolidadas, como Iowa, Texas e Carolina do Sul, revertendo a vantagem obtida pelo atual presidente no pleito presidencial de 2024. A expressiva insatisfação das urnas esteve diretamente associada aos impactos econômicos e diplomáticos do governo federal.
Conforme os levantamentos locais, o eleitorado reagiu ao expressivo aumento do custo de vida e à escalada da inflação, impulsionada em parte pela elevação dos preços dos combustíveis após o início da guerra contra o Irã, desencadeada em fevereiro. O cenário bélico e a retração no poder de compra tornaram-se elementos decisivos para a mudança de comportamento dos votantes, sacramentando o avanço da oposição no Parlamento.
Brasil 247