A construção do Centro Administrativo de Ubá está no centro de uma investigação sobre suspeitas de fraude em licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro O Centro Administrativo de Ubá, em Minas Gerais, é um dos alvos de uma investigação sobre suspeitas de fraudes em licitações e negociações de imóveis públicos.
A Operação Epicentro bloqueou aproximadamente R$ 250 milhões em bens dos investigados e tornou indisponíveis 24 imóveis negociados pelo município para viabilizar a construção do prédio. Iniciada em 2022, durante a gestão municipal anterior, a construção do Centro Administrativo está entre os principais focos da investigação.
Segundo o MPMG (Ministério Público de Minas Gerais), perícias técnicas identificaram indícios de irregularidades no processo de licitação da obra. Os investigadores apuram se imóveis públicos negociados com a empresa responsável pela construção, como forma de pagamento pelo contrato, foram avaliados abaixo do valor real.
A suspeita é de que as negociações tenham provocado prejuízo milionário aos cofres municipais. Também são investigadas possíveis irregularidades ambientais e urbanísticas nas permutas de terrenos, incluindo áreas verdes e espaços destinados a equipamentos comunitários.
Em 22 de outubro, a Justiça determinou a indisponibilidade de 24 imóveis envolvidos nas negociações relacionadas à construção do Centro Administrativo. A medida restringe a possibilidade de venda ou transferência dos bens enquanto estiver em vigor, nos termos da decisão judicial.
As apurações também abrangem contratos públicos da atual gestão, especialmente os relacionados à limpeza urbana e ao manejo de resíduos sólidos. Conforme o Ministério Público, há indícios de direcionamento de contratos para empresas e empresários ligados a agentes políticos investigados.
Entre os casos analisados estão contratações realizadas durante a calamidade pública provocada pelas enchentes que atingiram Ubá em fevereiro de 2026. Além dos imóveis, aproximadamente R$ 250 milhões em bens dos investigados foram bloqueados.
Veículos, máquinas e outros materiais também foram apreendidos e serão analisados pelas equipes responsáveis. As suspeitas incluem organização criminosa, peculato, fraude em licitações e contratos, corrupção e lavagem de dinheiro.
O MPMG e a PCMG também investigam possível uso de pessoas conhecidas como “laranjas” para ocultar os envolvidos em operações patrimoniais e financeiras, além de suspeitas de ameaças e intimidação. Os nomes dos investigados não foram divulgados para preservar o andamento das apurações.
Leandra da Luz é repórter do Núcleo Nacional do ND Mais, onde atua na cobertura jornalística de política, justiça e economia no Brasil. Formada em jornalismo pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), iniciou sua trajetória na comunicação em 2023.
Tem experiência em reportagem, apuração, entrevistas e produção de conteúdo digital, com atuação em diferentes formatos jornalísticos e acompanhamento de temas de interesse público. Leia mais ▾
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