Prefeitura quer realizar primeiro Festival Internacional de Teatro do Rio em 2027

Prefeitura quer realizar primeiro Festival Internacional de Teatro do Rio em 2027

 

Fonte: Bandeira



Com o réveillon conhecido em todo o mundo, o carnaval que arrasta multidões — nas ruas e no Sambódromo — e shows de estrelas internacionais que lotam a Praia de Copacabana uma vez por ano, é inegável que a Cidade Maravilhosa tem vocação para a cultura. Mas esses são apenas alguns dos exemplos de um leque bem mais amplo, centro do debate de mais uma edição do projeto Caminhos do Rio, realizada ontem, no auditório da Editora Globo, no Centro do Rio. E de acordo com o secretário municipal de Cultura Lucas Padilha, a prefeitura quer a transferência do Teatro Villa-Lobos para o município. Fechado desde 2011 por conta de um incêndio devastador, o teatro, localizado na Avenida Princesa Isabel, em Copacabana, está sob o guarda-chuva do governo do estado.

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— Nosso plano é reconstruir o Teatro Villa-Lobos, fazendo dele um espaço com mil lugares. A gente precisa de um teatro de mil lugares na cidade, especificamente em Copacabana — assegurou o secretário de Cultura.

A ideia é que o espaço seja multiúso, voltado tanto para as artes cênicas quanto para a música.

O equipamento, em caso de reforma, poderia suprir uma demanda das orquestras cariocas, que pedem mais uma sala de concertos e ensaios (hoje, a opção da prefeitura é a Cidade das Artes, na Barra).

Ainda de acordo com o secretário municipal de Cultura, o prefeito Eduardo Cavaliere e o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, enviaram um ofício ao governador interino Ricardo Couto, requisitando a transferência para o município.

— O Villa-Lobos não é um terreno, é um teatro, ainda que precise ser reconstruído do zero — completou o secretário Lucas Padilha.

Esse não foi o único spoiler do dia: Padilha e Andréa Alves, lado a lado na primeira mesa, revelaram a expectativa de que o Rio receba o seu primeiro Festival Internacional de Teatro no ano que vem, evento que estaria sob a batuta da Sarau, da qual Andréa é CEO.

Outra expectativa para 2027 é que a cidade possa se tornar a capital mundial do teatro, o que ainda está sendo pleiteado pelo município. A previsão é que, em caso de sucesso na negociação, a novidade seja anunciada em setembro, durante a Semana de Arte do Rio.

Sob o tema “A potência criativa do Rio”, e com a mediação de Rafael Galdo, editor de Rio do GLOBO, duas mesas abordaram como manter os projetos culturais de pé e o impacto da indústria cultural na economia carioca. O Caminhos do Rio é realizado pelos jornais GLOBO e EXTRA e conta com o patrocínio da Prefeitura do Rio e da Riotur.

Lei Rouanet é exemplo

Secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha iniciou o debate ponderando que é necessário ter instrumentos de políticas culturais diferentes para variadas necessidades de financiamento. Algumas possibilidades foram lançadas pelo município esta semana, como a criação da política de fluxo contínuo de editais — com quatro ciclos de seleção ao longo do ano, apoiando projetos de valores entre R$ 50 mil e R$ 200 mil — e um programa para selecionar 80 propostas de residência artística nos equipamentos culturais da cidade.

— Existem projetos que custam até R$ 50 mil que não podem esperar o ciclo de um e dois anos dos editais mais longos. Por outro lado, os editais mais longos precisam estruturar programas. A palavra “edital” não pode ser o fim da política cultural, é só um instrumento — explicou Padilha.

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Fabiano Rocha

Outro modo de financiar a cultura também entrou em pauta: o incentivo fiscal. Andréa Alves, CEO da produtora cultural Sarau Cultura Brasileira, comemorou a aprovação de um projeto de lei complementar, anteontem no Senado, que busca corrigir uma lei do fim do ano passado que tinha cortado 10% dos incentivos fiscais, o que já estaria prejudicando a captação do setor cultural. A pauta agora segue para a Câmara.

— Sabemos o quanto já trilhamos e quanto ganhamos de chão em termos estruturais de políticas para cultura, mas, quando entendemos que essa questão de tirar 10%, por exemplo, em incentivo já nos torna novamente vulneráveis, ficamos vulneráveis o tempo inteiro — alertou Andréa.

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Na avaliação de Ricardo Piquet, diretor-geral do Instituto de Desenvolvimento e Gestão, responsável pelo Museu do Amanhã, o mercado “está mal acostumado a só entrar no projeto se tiver 100% de incentivo fiscal”. Ele questiona ainda o “apreço” de empresários e cidadãos à cultura e cita a Lei Rouanet como um exemplo bem-sucedido:

— A gente presta contas a Deus e ao mundo, e não vejo isso nos outros incentivos. Então, a Lei Rouanet é melhor do que qualquer outro incentivo do ponto de vista do fomento e do ponto de vista do controle do estado.

7,6% do PIB do Rio

Ainda nesse debate, Padilha mencionou o “Todo mundo no Rio” — que traz, desde 2024, um artista internacional para cantar gratuitamente em Copacabana — como exemplo de um evento grande no qual o município entra com parte do investimento, mas o setor privado banca a maior parte do valor.

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— A pergunta é: por que existe dinheiro privado para grande evento e não existe para um grande museu ou para uma grande expressão popular da cultura? Essa é uma questão social, sociológica, de compreensão — observou o secretário, que sugeriu uma política de crédito dos bancos voltada para a cultura.

Na mesa seguinte, o debate migrou para o impacto da cultura na economia da cidade. Marcel Balassiano, subsecretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, explicou que é justamente a cultura o que projeta a imagem do Rio para fora do país, além de acarretar outras vantagens.

— Cultura também é desenvolvimento econômico, gera emprego, renda e trabalho para muitas pessoas — afirmou ele, mencionando que a indústria criativa é responsável por 7,6% do PIB do Rio.

Para Aniela Jordan, sócia e diretora artística e de produção geral da Aventura Entretenimento, turismo e cultura “deviam conversar mais”:

— Sinto que o resto do Brasil que vem para cá não sabe muito o que acontece aqui.

Julio Ludemir, criador da Festa Literária das Periferias (Flup), por sua vez, lembrou que os pequenos eventos são atrativos fundamentais até para os grandes eventos, como quando turistas aproveitaram rodas de samba dias antes de ver Madonna ou Shakira no Rio. Segundo ele, a ocupação pela cultura também resolve problemas de segurança.

— A roda de samba, a vida cultural, reinventou o Centro da cidade a partir da Lapa, está reinventando a partir da Glória, foi para o Largo da Prainha. Recentemente, criou-se uma vida dentro do Passeio Público, lugar a que as pessoas morriam de medo de ir.