Prefeitura e BNDES assinam acordo garantindo recursos para reflorestamento na Serra da Posse, em Campo Grande

 

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A Serra da Posse, em Campo Grande, na Zona Oeste, é área prioritária para receber o programa de reflorestamento Floresta Viva, por meio de um convênio assinado nesta quinta-feira entre a prefeitura e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), conforme foi antecipado pelo GLOBO. O projeto, com prazo de execução de 48 meses, prevê o plantio e manutenção de 337.125 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica no bairro mais populoso do Rio — possui 352 mil habitantes, segundo dados do Censo do IBGE de 2022 — e fica numa das regiões com maior carência de arborização da cidade.

O acordo prevê um investimento de R$ 10 milhões, sendo metade aportada pelo banco e a outra parte pelo município, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Clima. O projeto promove a criação de um corredor ecológico, integrando áreas previamente reflorestadas pelo Programa Mutirão Reflorestamento e por medidas compensatórias ambientais.

A intenção é, com isso, formar uma faixa contínua de vegetação, essencial para o deslocamento da fauna, a manutenção da biodiversidade e a estabilidade ecológica da região. A proposta de restauração substitui gradativamente vegetações invasoras por cobertura arbórea nativa, reduzindo o risco de incêndio e promovendo o sombreamento natural do solo.

— Só para a gente comparar com a realidade mais conhecida de uma parte da população, o Túnel Rebouças — liga os bairros do Rio Comprido e Lagoa — fica debaixo da floresta da Tijuca. Lá na Zona Oeste, o Túnel de Campo Grande vai ficar debaixo da Floresta da Posse—exemplificou o prefeito Eduardo Cavaliere.

O prefeito se refere ao Túnel Professor Moacyr Sreder Bastos, inaugurado no começo de março, ligando as estradas da Caroba e posse. A obra faz parte de um anel viário previsto no Plano de Mobilidade de Campo Grande e integra um conjunto de intervenções destinadas a redesenhar o trânsito no bairro.

O protocolo de intenções da prefeitura foi entregue em novembro do ano passado, durante a COP-30, em Belém. O presidente do BNDES, Aluízio Mercadante, destacou a importância do programa e disse que o Rio é a primeira prefeitura parceira do projeto, que conta com recursos oriundos do Fundo Socioambiental do banco e de instituições apoiadoras. A iniciativa, que está na sua segunda fase, tem os recursos administrados pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS).

— Quero parabenizar o prefeito, pois é a primeira prefeitura do Brasil que assume essa agenda como prioridade. Foi historicamente a cidade do Rio (a aderir aos programas de reflorestamentos) e é novamente a primeira prefeitura. Imagina esses bairros que não têm verde, o que é o calor quando chega o verão. As árvores nativas dão oxigênio, elas limpam o ar trazem sombra, elas melhoram a qualidade de vida da população — afirmou Mercadante.

A vereadora Tainá de Paula (PT), em cuja gestão como secretária municipal de Meio Ambiente e Clima, teve início o processo de adesão da prefeitura ao programa, também participou da assinatura do convênio. Ela destacou a importância da iniciativa:

— A gente vive hoje uma crise climática onde o principal foco é acelerar o processo de finalização das florestas. Nós temos várias florestas em curso na cidade, tanto na Zona Oeste quanto na Zona Norte. Então, quando a gente consegue concentrar recursos, a gente consegue acelerar o processo de amadurecimento e entrega das florestas de pé para a cidade do Rio — defendeu, acrescentando que o planejamento do desenvolvimento sustentável da cidade aponta as zonas Oeste e Norte como as mais sensíveis a mudanças do clima, devida a necessidade de arborização — As áreas mais quentes, aquelas que são mais suscetíveis a enchentes ou a calor extremo, são as nossas áreas prioritárias.

Após a assinatura do acordo, o passo seguinte será a formalização só contrato. A partir daí começam as ações, ainda em data a ser definida. A atual secretária de Meio Ambiente Lívia Galdino, disse que além da Zona Oeste, que sobre com as ondas de calor, a prefeitura deve avançar em outras direções:

—A gente tem as ações de reflorestamento que já acontecem na cidade há mais de 40 anos, a partir do mutirão de reflorestamento. Nós temos agora o Floresta Viva, que vai atuar em restauração de floresta e o próximo passo é seguir para um projeto de restauração de manguezais — disse, acrescentando que em Campo Grande será feito um projeto de restauração ambiental, com a criação de um corredor ecológico que vai alinhar e agregar os remanescentes de mata atlântica daquela região, formando um corredor verde de biodiversidade.