O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), atribuiu o atraso na circulação de ônibus na capital baiana à retirada de adesivos eleitorais dos veículos nas garagens das concessionárias. Segundo ele, a remoção de propagandas de um candidato à Presidência atrasou a saída dos coletivos nas primeiras horas deste domingo, durante o segundo turno.
Em meio às reclamações de eleitores sobre dificuldades para chegar aos locais de votação, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a extensão do horário de votação em todo o país até às 19h, duas horas além do previsto inicialmente. O resultado da eleição: Acompanhe a apuração ao vivo
Segundo Bruno Reis, a maioria dos ônibus que deveriam sair das garagens estava adesivada, o que levou as empresas a determinar a retirada do material antes de liberar os veículos. O prefeito afirmou que, diante do risco de novos atrasos, a prefeitura autorizou a circulação dos coletivos mesmo com os adesivos, considerados irregulares pela administração municipal.
— Hoje, na hora da saída dos ônibus da garagem, a grande maioria estava com adesivo de um determinado candidato. E, para cumprir a resolução, os empresários, os donos das empresas, determinaram a retirada dos adesivos.
A retirada desses adesivos levou ao atraso da operação — afirmou Reis O prefeito também associou a colocação dos adesivos a integrantes ligados ao Sindicato dos Rodoviários, mas afirmou que ainda não é possível identificar os responsáveis.
Segundo ele, imagens de câmeras de segurança nas garagens podem ajudar a esclarecer o caso. Reis mencionou ainda a ligação histórica do sindicato com o PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, mas não apresentou provas que vinculassem a entidade à adesivagem.
Bruno Reis declarou que a frota foi normalizada por volta das 10h e que todos os veículos necessários estavam em circulação até as 10h30. Também afirmou ter determinado a ampliação da oferta de ônibus diante das reclamações.
Segundo ele, a quantidade de coletivos em operação superou a registrada em eleições anteriores. Voto até às 19h
A explicação foi apresentada em meio a relatos de redução significativa do transporte público neste domingo. Além de Salvador, houve denúncias de dificuldades de deslocamento em Lauro de Freitas e Feira de Santana, na Bahia, e em outras cidades do país.
As ocorrências levaram a campanha de Lula a acionar a Justiça Eleitoral para pedir a extensão do horário de votação. Cristiano Zanin determinou que o recebimento de votos fosse estendido por duas horas em todas as seções eleitorais do país, até às 19h, no horário de Brasília.
A decisão foi tomada após a apresentação de uma reclamação constitucional pela campanha de Lula, que apontou dificuldades de transporte em municípios brasileiros. Na decisão, o ministro afirmou que a gravidade dos fatos relatados e a urgência da situação justificavam a medida.
Caberá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dar cumprimento à determinação. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial, também havia solicitado ao TSE a extensão do horário, mas restrita a cinco estados: São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
TRE-BA determina prisão de secretário Pablo Souza é o Secretário Municipal de Mobilidade de Salvador (Semob)
Reprodução Mais cedo, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), Maurício Kertzman Szporer, determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, após informações de que cerca de 75 ônibus teriam sido impedidos de sair das garagens por estarem adesivados com o número de urna de Lula.
A decisão também determinou o restabelecimento imediato do transporte público municipal e estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento. A Polícia Civil foi encarregada de fiscalizar a medida, inclusive com o uso de drones, e o caso foi encaminhado à Polícia Federal para investigação de possíveis crimes eleitorais.
Bruno Reis classificou a determinação de prisão como desproporcional e defendeu o secretário, que, segundo o prefeito, não tem filiação partidária e estava na França em uma agenda institucional relacionada à aquisição de ônibus elétricos. O gestor afirmou que Pablo havia deixado as determinações administrativas necessárias para a operação eleitoral antes de viajar.
O prefeito também negou que a administração municipal tenha orientado a redução da frota e atribuiu eventual descumprimento às empresas concessionárias, embora tenha ressaltado que ainda não seria possível afirmar que houve irregularidade por parte delas. Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) determinou que todos os ônibus fossem liberados das garagens com a frota máxima, mesmo aqueles com adesivos considerados propaganda eleitoral irregular.
Segundo a pasta, a operação começou a ser normalizada após diálogo entre as equipes da secretaria e representantes sindicais.
O Globo