Análise: ao escolher não decidir, Nunes Marques amplia caos eleitoral

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A condução do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, neste eleição e, em especial, no segundo turno, expõe uma atuação marcada pela demora em responder a problemas que atingem diretamente o exercício do voto.Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro, pai de um dos candidatos à Presidência, o magistrado se tornou alvo de críticas diante das dificuldades registradas em diferentes estados.

Ao decidir não decidir, permitiu que a crise avançasse até exigir a intervenção da própria Suprema Corte.Leia também: Dois projetos de Brasil: conheça as propostas de Lula e Flávio BolsonaroEm Salvador, os problemas envolvendo a circulação de ônibus e o deslocamento de eleitores, somados às dificuldades logísticas registradas em São Paulo, ampliaram a pressão pela extensão do horário de votação até as 19h nas seções que já estavam abertas.A medida buscava assegurar que os brasileiros afetados pelos transtornos não fossem privados do direito de votar.

Apesar da urgência, Nunes Marques só atendeu à demanda após uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF.Leia também: As pesquisas para presidente na véspera do 2º turno — o que diziam em 2018, 2022 e o que mostram agoraO episódio evidencia uma contradição na condução do presidente do TSE.

Enquanto a Corte se movimentou na reta final da campanha para atender a demandas relacionadas ao canal “Exército do Lula”, alvo de uma ofensiva da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), a resposta aos problemas que atingiam diretamente os eleitores dependeu de uma intervenção externa.

Em uma disputa decidida voto a voto, a demora em agir pode produzir consequências irreversíveis.Leia também: Kassio diz que aguarda relatórios do TRE da Bahia sobre situação em SalvadorA questão não está, necessariamente, em um eventual favorecimento ao filho de quem o indicou ao Supremo, mas na responsabilidade de Nunes Marques pela condução do processo eleitoral.

A presidência do TSE exige capacidade de antecipar crises e garantir respostas tempestivas. Quando a solução para assegurar o direito ao voto precisa partir de outro integrante do Judiciário, a autoridade administrativa de quem comanda a eleição acaba colocada em xeque.Ao decidir não decidir, Nunes Marques permitiu que uma crise operacional ganhasse contornos institucionais.

A extensão do horário de votação, adotada somente após a decisão de Zanin, reforça os questionamentos sobre sua capacidade de reação. Saiba Mais Política Eleições 2026: totalização de votos é pausada após decisão de Zanin

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