Preços de hortifruti pressionam cesta em maio, e Abras vê riscos com El Niño no segundo semestre

Preços de hortifruti pressionam cesta em maio, e Abras vê riscos com El Niño no segundo semestre

Fonte: Bandeira



Puxadas pelas compras para celebrar o Dia das Mães, as vendas nos supermercados voltaram a ganhar tração e o consumo dos brasileiros nesses estabelecimentos cresceu 2,23% em maio ante abril, mostrou a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

O avanço veio mesmo com a aceleração do custo da cesta básica, pressionado por itens como feijão, leite e hortifruti, em meio ao período de entressafra.

Para o setor, os preços devem seguir relativamente acomodados no curto prazo, com a Copa do Mundo ajudando a girar as vendas em junho.

O principal ponto de atenção para a segunda metade do ano é o efeito do El Niño.

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Segundo Marcio Milan, vice-presidente da Abras, a data comemorativa às mães contribuiu para um aumento de 9,5% no consumo naquela semana, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Já a partir de junho, o setor também sentiu os efeitos da Copa do Mundo, que começou no dia 11 do mês anterior e vai até próximo dia 19.

No dia 30, a Abras divulgará uma análise sobre a influência do torneio no consumo ao longo do mês.

— O que percebemos na primeira semana é que teve um aumento da venda dos produtos como bebidas, salgadinhos, e mesmo a própria carne — adiantou o presente da entidade aos jornalistas, ao citar que a reta final dos jogos da Copa traz oportunidades de consumo mesmo sem a continuação da seleção brasileira na competição.


— São momentos únicos no futebol e sempre trazem curiosidade.

Há uma tendência de maior consumo, que deve influenciar as famílias brasileiras.

Acomodação de preços, mas atenção ao clima

Questionado sobre se os preços devem se acomodar ou se ainda há pressão pela frente, Milan ponderou que o cenário para o segundo semestre é de relativa estabilidade no mercado como um todo, mas com riscos no radar:

— Temos acompanhado a questão da guerra entre Irã e Estados Unidos, que traz volatilidade ao petróleo e tem consequências para toda a cadeia de abastecimento.

Também estamos de olho no El Niño.

Estamos atentos à agricultura para saber como isso vai se comportar.

Tudo isso aponta para uma tendência de possíveis aumentos de preços.

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O consumo em maio acelerou em relação à abril, quando tinha subido 1,48%, depois de uma alta forte de 6,21% em março como recuperação após as quedas registradas em janeiro e fevereiro, meses seguintes ao pico histórico de vendas do setor em dezembro.

Cesta básica ficou, em média, 2,16% mais cara em maio

Segundo o Abrasmercado, indicador que acompanha a variação de preços de uma cesta de 35 produtos, o valor médio pago pelo consumidor subiu 2,16% na passagem de abril para maio, saindo de R$ 836,80 para R$ 854,91.

Mais voláteis e sob efeito da entressafra entre maio e julho, quando o clima mais frio e a falta de chuvas afetam o ciclo produtivo, os preços de hortifruti se destacaram entre as altas.

A batata subiu 44,69% somente em maio e já acumula alta de 75,84% no ano.

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O tomate avançou 20% no mês e soma alta de 86% em 2026.

Já a cebola subiu 16% em maio e acumula 48% no ano.

Também subiram de preço o feijão, com alta de 6,44% em maio ante abril e de 41% no acumulado do ano, e o leite longa vida, que teve alta de 0,77% no mês e de 22,33% no ano até maio.

Os destaques negativos ficaram por conta do café moído (queda de 8% no ano), do açúcar refinado (-6,73%) e do óleo de soja (-6,65%).

Os ovos recuaram 1% em maio, mas ainda acumulam alta de 7% no ano.

Entre as carnes, os cortes traseiros subiram 1,9% em maio e 9,97% no ano, enquanto os cortes dianteiros avançaram 5,84% no ano e 1,71% no mês.

Cesta de 12 produtos básicos

Pela análise regional, o Nordeste registrou a maior variação de preços da cesta de 35 produtos em maio, com alta de 2,79%.

Ainda assim, a região encerrou o custo da cesta com menor custo médio da cesta com preço médio de R$ 772,51.


Considerando apenas itens básicos, numa lista da Abras que reúne 12 produtos essenciais do consumo, o custo da cesta básica subiu, em média, 0,81%, de R$ 354,22 para R$ 357,10, pressionado mais pela carne, arroz e feijão, mas ajudado pela queda do açúcar, do café, do óleo de soja, da farinha de mandioca e de trigo.


Considerando apenas os itens essenciais, uma lista da Abras com 12 produtos básicos, o custo da cesta subiu, em média, 0,81% em maio, passando de R$ 354,22 para R$ 357,10.

A alta foi pressionada principalmente pela carne, pelo arroz e pelo feijão, mas com algum alívio devido às quedas do açúcar, do café, do óleo de soja, da farinha de mandioca e da farinha de trigo.