O time de futebol de um clube inserido em ambiente competitivo é um organismo vivo que respira o ar da atmosfera que habita.
Se isso realmente é verdade, como dizem catedráticos que estudam a ciência do esporte, é natural que os jogadores do Vasco tenham dificuldades para defender as cores do clube: tensão, desajuste tático e obrigação de evitar o quinto rebaixamento da instituição.
De qualquer forma, estes jogadores fazem parte do único carioca vivo nas três competições em disputa.
E isso, talvez, alimente a autoestima e produza energia necessária para evitar o desgosto de sua torcida.
Pois o futebol é assim: a vitória fortalece, revigora a personalidade e transforma cenários.
A questão é saber como não se deixar abater pelo externo e concentrar na partida.
Para início de conversa, é preciso torcer para que o técnico Pedro Emanuel recupere o encaixe defensivo perdido com a contusão de Jair.
Com o volante em campo, o time havia sofrido um gol em 294 minutos.
A partir da ausência, sete em 256.
Porque não é só jogar por si.
É ler o jogo, conhecer deficiências dos companheiros e preencher os espaços antes que o adversário os perceba.
Jair, que havia retornado à equipe no 1 a 1 com o Mirassol, em São Januário, nove meses após a segunda cirurgia no joelho, fez isso por cinco partidas, sustentando a invencibilidade do time.
Até deixar o campo aos 14 minutos do duelo com o Santos, bem antes, portanto, de Neymar, Gabriel Barbosa e cia.
acharem os já conhecidos espaços na defesa vascaína.
O argentino Santiago Sosa, vigoroso nas disputas de bola, ajudará a recuperar a consistência.
A dúvida é em que tempo.
A série de confrontos exige que seja para já.
O Vitória de Jair Ventura é uma equipe leve e bem encaixada no jogo de transição.
Sábado, tem o Cruzeiro de Artur Jorge, terceira ou quarta força do país.
E depois o time baiano no Barradão, onde derrubou Flamengo e Athletico.
Com Sosa e o compatriota Colídio, o Vasco encorpou.
E, somados a Paulo Henrique, Cuiabano, Thiago Mendes, Tchê Tchê e Andrés Gomez, é possível que o desempenho seja outro — mesmo sem Jair.
Ainda que a diretoria se veja enrolada na teia ardilosa que ela mesma ajudou a construir, ainda é possível acreditar que o cruz-maltino termine o ano de forma mais tranquila.
É preciso, portanto, que o time de Pedro Emanuel mostre neste mata-mata das quartas de final da Copa do Brasil que tem credenciais para sobreviver à mediocridade que o cerca.
Hoje à noite, São Januário será pequeno para tantas incertezas.
É preciso que o Vasco mostre na Copa do Brasil que tem credenciais para sobreviver à mediocridade que o cerca
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